sexta-feira, 28 de abril de 2017

IMAGENS DAS MANIFESTAÇÕES DA GREVE GERAL DO DIA 28 EM CAICÓ

Contra a reforma da Previdência e Trabalhista e os desmandos do (des)Governo Temer, caicoenses e seridoenses saem às ruas, pela democracia: Fora Temer!

O povo e os trabalhadores da cidade e do campo se concentraram na praça da alimentação para a grande manifestação ocorrida no dia 28 de abril

Na principal avenida da cidade, manifestantes e populares disseram NÃO as reformas de Temer

Entidades sindicais, igrejas, estudantes, artistas, representações populares, jovens, universidades, profissionais liberais, entidades de classe, partidos progressistas, trabalhadores e trabalhadoras da cidade e do campo lotaram as ruas do centro da cidade de Caicó em adesão a Greve Geral convocada em todo o Brasil para protestar e dá seu recado ao (des)governo Temer, contra as reformas e pela volta da democracia.

PREFEITURA DE CAICÓ COMEÇA A DÁ SINAIS DE QUE SALÁRIOS PODERÃO COMEÇAR A ATRASAR

Desde início da Gestão, prefeitura não conseguiu manter a frequência de pagamento de salários na data base do mês, salários da educação e saúde vêm sendo protelados para datas posteriores

Maus presságios apontam para possíveis dificuldades de a Prefeitura de Caicó manter o rigor do pagamento dos salários de todos os seus servidores em dia e na mesma data.

Conforme tem anunciado os sites oficiais do próprio prefeito Batata (VEJA ACIMA), algumas secretarias estão recebendo seus salários dias após a data base em que costumeiramente se paga os salários de todo o funcionalismo municipal, que fica entre os dias 30 a 31 de cada mês.

Tal atitude pode significar dificuldades da nova Gestão em manter a promessa de pagamento dos servidores sem maiores alterações.

É pagar pra ver!

O BRASIL PAROU: ACOMPANHE REGISTROS DA GREVE GERAL EM TODO O PAÍS

O Brasil amanheceu em silêncio nesta sexta-feira (28). A população brasileira, contrária às Reformas da Previdência e Trabalhista propostas pelo Governo Temer, atendeu a convocação da Greve Geral e cruzou seus braços. As principais vias, terminais de metrô e ônibus do país, encontram-se com pouco movimento ou desertas.

Em Caicó no Rio Grande do Norte, mais de 10 mil pessoas saíram às ruas contra reformas e governo Temer.

Em São Paulo, os principais terminais amanheceram desertos. Em São Paulo, os principais terminais amanheceram desertos.  Além do gesto político da paralisação, diversas cidades promovem, ao decorrer do dia, manifestações em diversas regiões do país, com o apoio das centrais sindicais, movimentos sociais e entidades estudantis.

Esses registros são das principais manifestações e paralisações que ocorreram no início da manhã desta sexta-feira (28).

ACOMPANHE NOS LINKS ABAIXO COBERTURAS COMPLETAS DOS ATOS EM TODO O BRASIL DURANTE TODO O DIA:


CONTRA O DESMONTE, INTELECTUAIS SE UNEM NO PROJETO BRASIL NAÇÃO

Mais de oito mil personalidades brasileiras de diferentes áreas se unem por uma causa na noite desta quinta-feira (27), no Largo São Francisco, Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), onde será lançado o Projeto Brasil Nação.

Reprodução Brasil 247

Liderado pelo economista e ex-ministro Luis Carlos Bresser-Pereira, fundador do PSDB, o manifesto faz críticas a ações tomadas pelo governo Michel Temer, como propostas que prejudicam direitos históricos dos trabalhadores, e o projeto de privatização.

"Privatizar e desnacionalizar monopólios serve apenas para aumentar os ganhos de rentistas nacionais e estrangeiros e endividar o país. O desmonte do país só levará à dependência colonial e ao empobrecimento dos cidadãos, minando qualquer projeto de desenvolvimento", diz um trecho do texto.

"Para voltar a crescer de forma consistente, com inclusão e independência, temos que nos unir, reconstruir nossa nação e definir um projeto nacional. Cabe a nós repensarmos o Brasil para projetar o seu futuro – hoje bloqueado, fadado à extinção do empresariado privado industrial e à miséria dos cidadãos", defende ainda o documento.

O manifesto já ganhou mais de oito mil assinaturas, como do diplomata e ex-ministro dos governos Lula e Dilma Celso Amorim, o escritor Raduan Nassar, o cantor e compositor Chico Buarque, o jurista Fábio Konder Comparato, a jornalista Eleonora de Lucena, o ator Wagner Moura, o presidente da CUT, Vagner Freitas, entre vários outros.

O Projeto Brasil Nação tem como pilares "autonomia nacional, democracia, liberdade individual, desenvolvimento econômico, diminuição da desigualdade, segurança e proteção do ambiente". E propõe cinco pontos na economia:

Regra fiscal que permita a atuação contracíclica do gasto público, e assegure prioridade à educação e à saúde; Taxa básica de juros em nível mais baixo, compatível com o praticado por economias de estatura e grau de desenvolvimento semelhantes aos do Brasil; Superávit na conta corrente do balanço de pagamentos que é necessário para que a taxa de câmbio seja competitiva; Retomada do investimento público em nível capaz de estimular a economia e garantir investimento rentável para empresários e salários que reflitam uma política de redução da desigualdade e Reforma tributária que torne os impostos progressivos.

Fonte: Brasil 247

quinta-feira, 27 de abril de 2017

A DESCONSTITUIÇÃO ÉTICA, MORAL, CULTURAL E INSTITUCIONAL DO ESTADO

A era Temer, porta-voz do 1%, de elites imediatistas, racistas, machistas, sexistas, lesbo-homofóbicas e patrimonialistas, é a rápida desconstrução, institucional e cultural, da ideia de justiça social que referenciava nosso Estado de bem-estar social. Este era frágil, incompleto, imperfeito, mas vinha progressivamente se consolidando desde a Constituição de 1988

por: José Antonio Moroni
No Le Monde Diplomatique Brasil – edição 116  – março de 2017}

Com o tempo fica desnudada, inclusive para setores da sociedade que entraram na onda de “todos contra a corrupção”, a verdadeira natureza do golpe que sofremos em 2016. Um golpe que articulou setores da institucionalidade (Parlamento, Judiciário e Executivo), partidos políticos, mídia, Igrejas, setores empresariais e “movimentos de rua”. Lembrando que, com início em 1989, esse foi o maior período histórico que vivemos sem golpes, aqui entendido como governo eleito terminando seu mandato. Houve no período o impedimento do presidente Collor, com comprovado crime de responsabilidade. O golpe demonstra que a elite brasileira não tem nenhum apreço pela democracia, mesmo a formal, nem respeito aos resultados eleitorais.

Apesar dos limites de nossos processos democráticos e dos poucos avanços que tivemos nos últimos anos no sentido de termos um sistema político alicerçado na soberania popular e de construção de políticas públicas realmente emancipatórias, houve um reconhecimento institucional de sujeitos tradicionalmente “esquecidos” pelo Estado e pelos governos. Esse reconhecimento não foi por acaso, mas fruto de lutas e organização desses sujeitos nas últimas décadas, para não falar séculos. Basta lembrar a luta dos quilombos, dos povos indígenas, das comunidades LGBT, dos jovens e das mulheres.

O golpe precisava deslegitimar esses sujeitos, suas lutas e demandas. Não é à toa que uma das primeiras medidas do governo golpista foi a extinção ou o esvaziamento de estruturas do Estado que possibilitavam certo tensionamento entre esses sujeitos e a definição das políticas públicas. O que melhor espelha isso é a extinção dos ministérios dos Direitos Humanos, da Igualdade Racial, das Políticas para as Mulheres, do Desenvolvimento Agrário; o fim do Ministério da Previdência Social (quem precisa de previdência é a classe trabalhadora); a militarização da questão indígena e o esvaziamento dos espaços de interlocução com a comunidade LGBT e as juventudes. 

Veja abaixo alguns dos direitos em cursos que estão sendo desmontado pelo governo Temer.

VEJA OS PRINCIPAIS DIREITOS PERDIDOS OU AMEAÇADOS NO GOVERNO TEMER

Democracia: interrompido o mais longo período histórico de respeito ao voto popular, 27 anos. Em 126 anos de República, tivemos 36 presidentes; apenas doze eleitos diretamente terminaram seu mandato. De 1926 até hoje, a proporção é ainda pior – de 25 presidentes, apenas cinco eleitos pelo voto popular concluíram seu mandato: Eurico Gaspar Dutra, Juscelino Kubitschek, FHC, Lula e Dilma (primeiro mandato). Isso só confirma a tese de que as elites brasileiras não têm nenhum apreço pelo voto popular e recorrem sistematicamente a golpes de Estado para impor seus interesses. O golpe que colocou Temer no poder segue essa tradição.

Ajuste fiscal: o chamado ajuste fiscal, que começou no governo Dilma, é uma estratégia para fazer a conta ser paga pela base da pirâmide. Central nisso é a Emenda Constitucional n. 95 (EC 95), que congelou por vinte anos os gastos públicos, principalmente os gastos sociais, incluindo os previdenciários. Congelar gastos públicos por vinte anos é congelar o futuro de uma geração inteira. Até a fatídica aprovação dessa emenda constitucional, recursos para a saúde e a educação eram vinculados, isto é, tinha percentual fixo do orçamento. Após a aprovação, os gastos são corrigidos segundo a inflação do ano anterior. Segundo estudos, se esse critério estivesse valendo para 2015, a saúde teria uma perda de recursos da ordem de 32%, e a educação, de 70%. Sem mencionar que os percentuais constitucionais para a educação e a saúde já vinham sendo desrespeitados desde o governo FHC por meio da Desvinculação das Receitas da União, medida essa mantida pelos governos Lula e Dilma. Isso tudo para quê? Para pagar a dívida pública, um mecanismo de repasse de recursos públicos para as elites que aplicam no mercado financeiro. Hoje, mais de 50% do “nosso” orçamento público é comprometido com o pagamento da dívida. O Estado brasileiro cobra impostos dos mais pobres para distribuir para os mais ricos, e um dos mecanismos para fazer isso é o pagamento da dívida pública.

Políticas indigenistas: mesmo reconhecendo que nos governos Lula e Dilma pouco se avançou, no mandato Temer o retrocesso é gritante. Além do desmonte da já fragilizada Fundação Nacional do Índio (Funai), da tentativa de nomear um general para a presidência do órgão, do apoio ao Projeto de Emenda Constitucional n. 215 (PEC 215), que retira o poder do Executivo para a demarcação das terras indígenas, e do desmonte da política da saúde indígena, o orçamento da Funai para 2017 é o menor em dez anos. Na verdade, a PEC 215 inviabiliza qualquer nova demarcação e abre possibilidades de rever demarcações já realizadas. A proposta de emenda equipara as terras tradicionais às propriedades rurais, podendo ser arrendadas, divididas e receber “investimentos” do agronegócio e das mineradoras.

Agricultura familiar e reforma agrária: a extinção do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e sua incorporação ao Ministério de Desenvolvimento Social, além de ser um retrocesso na luta pela reforma agrária, é uma evidente opção ideológica e política pelo agronegócio. A concepção de que as políticas voltadas para a agricultura familiar devem ser concebidas no âmbito do social, apartado do econômico, é de um modelo de desenvolvimento arcaico, que faz o Brasil retroceder para o início do século passado. O governo Temer, nesse período, retirou o desenvolvimento agrário da Câmara de Comércio Exterior (lógico, só quem pode exportar é o agronegócio), acabou com a Diretoria de Políticas para as Mulheres Rurais e extinguiu a Ouvidoria Agrária, que tinha como tarefa a negociação de conflitos no campo. Como se não bastasse, extinguiu a Coordenação Geral de Cooperação Humanitária e Combate à Fome do Itamaraty, que tinha a atribuição de construir a agenda contra a fome no mundo.

Segundo estudos do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), em 2016 o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da agricultura familiar para a alimentação escolar, hospitais e etc. gastou R$ 428 milhões. O orçamento para 2017 prevê apenas R$ 330 milhões, o que equivale a uma perda de 28%.

No que diz respeito à reforma agrária, o governo encaminhou a Medida Provisória 759/2016 (MP 759) com o objetivo basicamente de liberar terras para o mercado e enfraquecer os movimentos sociais que lutam por uma reforma agrária popular. Libera terras para o mercado quando concede títulos de propriedade para os assentados individualmente, permitindo a venda dos imóveis. Enfraquece os movimentos quando prevê abertura de editais amplos para as candidaturas a receber terras.

Reforma trabalhista: com o argumento de modernizar as relações de trabalho (quem não se lembra do discurso de modernização da era Collor?), o governo enviou projeto de lei em regime de urgência, que deve ser aprovado no primeiro semestre deste ano. Uma das propostas é que a jornada de trabalho diária possa ser de até 12 horas. Outra é que o que for acordado entre as empresas e sindicatos fica valendo acima da legislação. Na prática, isso acaba com a Consolidação das Leis de Trabalho (CLT). Num país com um sindicalismo ainda frágil, parte dele atendendo aos interesses dos patrões, os acordos dificilmente irão além dos direitos já conquistados na CLT. Em outras palavras, os acordos vão retirar direitos.

Educação: para além do corte de recursos, há grandes atrasos com as discussões puxadas pelos adeptos da escola sem partido (proposta educacional político-pedagógica conservadora que se apresenta como antipartidária, mas na verdade é representante do “pensamento único”, equivalente ao partido único nas escolas); a reforma do ensino médio, editada por medida provisória, que retoma a velha divisão entre educação para ricos e cursos técnicos voltados para a demanda da economia, para a empregabilidade dos mais pobres; o afunilamento do acesso ao ensino superior, com o encolhimento das universidades públicas e o enfraquecimento dos Institutos Federais de Educação; e, por fim, a fragilização da formação de professores e a retirada de disciplinas críticas do currículo escolar. Além disso, há um desprezo ao conhecimento produzido de modo descentralizado pelas diferentes regiões do país, ao estipular uma base nacional curricular comum, com 60% de conteúdo fixo e outros 40% variáveis – como todos os exames são nacionais, contudo, o que será solicitado neles terá como referência os 60%.

Vê-se, pois, que a era Temer, porta-voz do 1%, de elites imediatistas, racistas, machistas, sexistas, lesbo-homofóbicas e patrimonialistas, é a rápida desconstrução, institucional e cultural, da ideia de justiça social que referenciava nosso Estado de bem-estar social. Este era frágil, incompleto, imperfeito, mas vinha progressivamente se consolidando desde a Constituição de 1988. Os tempos que nos aguardam são sombrios. Os retrocessos já se fazem sentir: o próprio Banco Mundial,1 aliado eterno dessas elites, já anunciou o aumento da pobreza no Brasil. Mais do que nunca, urge a união das forças populares em torno de uma agenda de radicalização da democracia e de inclusão socioambiental dos 99%!

Como podemos perceber, o golpe teve endereço e CEP certos: os direitos dos trabalhadores, das mulheres, das juventudes periféricas, da população negra, dos povos indígenas, da comunidade LGBT. Mas podemos ter a certeza de que os trabalhadores e as trabalhadoras não vão retornar ao chão de fábrica, que as mulheres não vão retornar à cozinha, que os jovens não vão retornar ao “gueto” e vão ocupar as vagas das universidades públicas, que a comunidade LGBT não vai voltar para o armário e que o povo negro não vai retornar à senzala.

*José Antônio Moroni é do Colegiado de Gestão do Inesc.
{Le Monde Diplomatique Brasil – edição 116  – março de 2017}

“ATÉ A DITADURA MILITAR CONVIVEU COM A CLT”, DESTACOU FLÁVIO DINO

Por meio das redes sociais, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), criticou a reforma trabalhista aprovada pela Câmara nesta quarta-feira (26) e a proposta de reforma da Previdência. “Economia brasileira já viveu muitos ciclos de crescimento mantendo as leis trabalhistas. Até a ditadura militar conviveu com a CLT”, disse.

Foto de Gilson Teixeira

Segundo o governador, a aprovação das medidas representa um retrocesso. “Aumentar a desigualdade social é a pior das violências que pode se cometer em um país já tão injusto”, afirmou Flávio Dino.

“No Brasil, enquanto rendas do grande capital gozam de privilégios únicos no mundo, rendas do trabalho são reduzidas com reformas regressivas”, destacou o governador, salientando que “a reforma que o Brasil realmente precisa é a tributária para acabar com os privilégios do grande capital e dos milionários”.

“Não podemos viver felizes em um país em que 1% tem tudo e 99% retrocedem em direitos e cidadania. Não são modernas medidas que coisificam pessoas, aumentando a sua sujeição ao poderio econômico. Isso é arcaico, atrasado”, reforçou.

E conclui: “Quanto mais medidas de confronto, teremos menos democracia e maior crescimento do Partido da Antipolítica”.

Do Portal Vermelho

OU PARAMOS O BRASIL OU PARAM COM O NOSSO FUTURO


“GREVE É UM DIREITO E LEGÍTIMA”, AFIRMA MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO

Em nota oficial, o Ministério Público do Trabalho reforçou a legitimidade da paralisação nacional convocada para esta sexta-feira, 28 de abril.

“Greve é um direito fundamental assegurado pela Constituição Federal, bem como por Tratados Internacionais de Direitos Humanos ratificados pelo Brasil, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender”, diz o texto.

O órgão ainda aproveita para reiterar seu posicionamento institucional contra a mudanças propostas por Michel Temer e sua base.

Confira abaixo a íntegra da nota

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO, considerando a Greve Geral anunciada para o dia 28.04.2017, vem a público:

I – DESTACAR que a Greve é um direito fundamental assegurado pela Constituição Federal, bem como por Tratados Internacionais de Direitos Humanos ratificados pelo Brasil, “competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender” ( art. 9º da CF/88);

II – ENFATIZAR a legitimidade dos interesses que se pretende defender por meio da anunciada Greve Geral como movimento justo e adequado de resistência dos trabalhadores às reformas trabalhista e previdenciária, em trâmite açodado no Congresso Nacional, diante da ausência de consulta efetiva aos representantes dos trabalhadores (Convenção OIT n. 144);

III – REAFIRMAR a posição institucional do Ministério Público do Trabalho - MPT contra as medidas de retirada e enfraquecimento de direitos fundamentais dos trabalhadores contidas no Projeto de Lei que trata da denominada “Reforma Trabalhista”, que violam gravemente a Constituição Federal de 1988 e Convenções Fundamentais da Organização Internacional do Trabalho;

IV – RESSALTAR o compromisso institucional do MPT com a defesa dos Direitos Sociais e com a construção de uma sociedade livre, justa, solidária e menos desigual.

Fonte: Brasil 247

TRABALHADORES DE TODO O BRASIL UNIDOS EM DEFESA DE SEUS DIREITOS

A rejeição e resistência contra as “reformas” trabalhista e da Previdência e a lei que permite a terceirização irrestrita dos contratos de trabalho é o mote do grande protesto desta sexta-feira (dia 28).

A Greve Geral foi convocada unitariamente pelas centrais sindicais (CTB, CUT,  UGT, Força Sindical, Nova Central, CSP-Conlutas e Intersindical) e tem o apoio da Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo, do movimento social e dos partidos de esquerda. A mobilização dos trabalhadores também tem o apoio da igreja católica, através da CNBB, e das igrejas evangélicas históricas.

Uma greve geral, comparável a outras ocorridas no passado. Como de 1917, que completa 100 anos em julho, e marcou profundamente a história dos trabalhadores no Brasil. Ou a ocorrida em 1983, ao final da ditadura militar, e lutou contra mudanças prejudiciais na lei de salário mínimo. Ou a que parou 70% dos trabalhadores em 1989 contra o governo Sarney, a inflação (de 80% ao mês), o enorme arrocho salarial e o desemprego galopante.

Neste 28 de abril os trabalhadores darão continuidade a essa história de luta. E que tem agora uma diferença correspondente às mudanças que ocorreram no Brasil desde então, com a articulação nacional da classe operária e dos trabalhadores. A mobilização intensa revela o envolvimento maior de todas as categorias profissionais; será também mais abrangente, com um caráter verdadeiramente nacional.

A “reforma trabalhista” de Temer e dos golpistas tem o objetivo de acabar com a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e as garantias aos trabalhadores que ela registra. Enfraquece a representação sindical e limita o acesso à Justiça do Trabalho.

Vai relativizar o exercício da jornada de trabalho, o pagamento de horas e dos intervalos intrajornada (descanso, alimentação, higiene pessoal), o direito às férias, o trabalho de grávidas em locais insalubres, o cumprimento de plano de cargos e salários, vai permitir o acúmulo de banco de horas.

A agressão aos direitos dos trabalhadores ficará completa quando a “reforma” de Temer fixar que o cumprimento dos direitos garantidos pela lei fica subordinados à negociação entre patrões (que tem a faca e o queijo nas mãos) e os empregados (que ficarão submetidos às imposições patronais). Será o resultado da imposição de que o negociado passa a valer mais do que a lei. A luta contra estes ataques vem junto com a resistência às mudanças restritivas que o governo quer fazer na Previdência, dificultando aos trabalhadores o direito à aposentadoria.

A greve geral abrirá uma nova fase na luta contra o golpe e o governo ilegítimo que se originou nele, o governo de Michel Temer. Vai fortalecer a unidade do povo e a luta pela democracia, contra o ataque aos direitos sociais que o governo Temer e a parte mais reacionária da classe dominante pretendem impor aos brasileiros.

Em 28 de Abril todos à Greve Geral! Nenhum direito a menos! Não ao golpe!

CÂMARA APROVA O RETORNO À ESCRAVIDÃO

 Rolo compressor do Demo Rodrigo Maia, que atua como capacho do golpista Michel Temer e jagunço dos patrões, deu resultado. Por 296 votos favoráveis e 177 contra, a Câmara Federal aprovou na noite desta quarta-feira (26) o texto-base da contrarreforma trabalhista

Por Altamiro Borges*, em seu blog

Após a votação das emendas, o relatório do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), acusado de fraudar contratos de terceirização, segue para a apreciação no Senado. Apesar da vitória, o governo ilegítimo não atingiu os votos necessários para tranquilizar o “deus-mercado” sobre a votação do próximo golpe – o da Previdência. Por se tratar de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), essa contrarreforma precisa do apoio de pelo menos 60% dos congressistas (308 de 513 deputados).

Os gananciosos empresários, que financiaram o “golpe dos corruptos” que derrubou a presidenta Dilma Rousseff e alçou ao poder a quadrilha de Michel Temer, devem estar festejando em suntuosos banquetes esta vitória parcial. Já os trabalhadores, que assistiram este novo show de horrores na Câmara Federal – no qual os deputados extinguiram os vários direitos previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) – devem reforçar os preparativos para a greve geral desta sexta-feira (28). Os nomes e as fotos dos parlamentares que decretaram o retorno à escravidão devem ser amplamente divulgados nos próximos dias. Estes traidores não merecem o respeito e o voto dos brasileiros.

Confira abaixo alguns dos retrocessos previstos na contrarreforma trabalhista:

1- Redução do salário para quem exerce as mesmas funções na mesma empresa com a demissão coletiva e a recontratação via terceirização;
2- Prevalência do acordo coletivo ou individual sobre a legislação trabalhista. Isto possibilita que a empresa contrate o empregado com menos direitos do que prevê a convenção coletiva da categoria ou da lei
3- Terceirização até das atividades-fim de qualquer setor;
4- Parcelamento das férias em até três períodos à escolha da empresa;
5- Fim do conceito de grupo econômico que isenta a holding de responsabilidade pelas ilegalidades de uma das suas associadas;
6- Regulamenta o teletrabalho por tarefa e não por jornada;
7- Deixa de contabilizar como hora trabalhada o período de deslocamento dos trabalhadores para as empresas, mesmo que o local do trabalho não seja atendido por transporte público e fique a cargo da empresa;
8 – Afasta da Justiça do Trabalho a atribuição de anular acordos coletivos e até individuais de trabalho;
9 – Permite jornada de trabalho de até 12 horas seguidas, por 36 de descanso, para várias categorias hoje regidas por outras normas
10 – Acaba com o princípio de equiparação salarial para as mesmas funções na mesma empresa.

*Altamiro Borges é jornalista. Preside o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé

terça-feira, 25 de abril de 2017

NOTÍCIAS FALSAS SÃO TÃO DISSEMINADAS QUANTO ÀS VERDADEIRAS

Pesquisa da Universidade de Oxford alerta para a proliferação de mensagens fictícias na internet. Saiba mais sobre o problema e como combatê-lo

Você confia em tudo que lê na internet? Uma pesquisa da Universidade de Oxford alerta para o perigo das informações inverídicas na rede. O estudo publicado em março deste ano revelou que as notícias falsas são tão compartilhadas na internet quanto as verdadeiras.

O levantamento usou uma amostragem de 140 mil usuários da rede social Twitter no Estado de Michigan, nos Estados Unidos (EUA), durante os dias anteriores à eleição presidencial daquele país. O resultado indicou que mentiras e notícias confiáveis foram compartilhadas na mesma proporção.

Segundo reportagem do jornal Financial Times, a proliferação de notícias falsas via redes sociais está sendo apontada como causa da distorção das percepções públicas e do debate político em países ocidentais. Outro problema é que alguns líderes políticos também se aproveitam da existência de notícias falsas para desqualificar informações de fontes confiáveis, quando elas apresentam tom crítico a eles, em uma tentativa de confundir o público.

Robôs virtuais

A pesquisa de Oxford também revelou que muitas notícias falsas são geradas e disseminadas por robôs virtuais, os chamados bots. Em entrevista ao jornal The Washington Post, Philip Howard, professor da Oxford, explicou que os perfis no Twitter controlados por robôs fazem postagens mais frequentes do que usuários humanos (mais de 50 por dia) e suas mensagens estão concentradas em um só tema. Alguns não têm perfil e podem apresentar frases desconexas ou sem sentido.

Como identificar?

As notícias falsas representam um risco para toda a sociedade. Uma informação falsa pode colocar toda população em risco, disseminar o ódio, destruir reputações e gerar até processos judiciais. Para combater o problema, cada pessoa deve ficar atenta às informações, fotos, áudios e vídeos que recebe antes de enviá-los para amigos nas redes sociais ou no WhatsApp.

Ao ler uma notícia, tente descobrir quem produziu a informação, qual o objetivo dela e quais consequências ela pode trazer. Busque outras fontes de informação, como sites, jornais e especialistas. A proliferação de notícias falsas nas redes sociais levou até o Facebook a lançar uma campanha para reduzir o fluxo desse tipo de conteúdo. Confira no boxe ao lado algumas sugestões elaboradas pela rede social.

Fique atento

Veja o resumo de algumas dicas publicadas pelo Facebook em parceria com a First Draft

- Desconfie de manchetes sensacionalistas, em letras maiúsculas e com pontos de exclamação.
- Verifique a URL e certifique-se de que ela não imita o site de um veículo de imprensa conhecido.
- Investigue a fonte da notícia, veja se ela é confiável e tem boa reputação. Se não conhece a organização, procure saber mais sobre ela.
- Formatações incomuns, com erros ortográficos e layouts estranhos podem ser sinais de que a notícia é falsa.
- Veja se as fotos e os vídeos relacionados à informação foram manipulados ou retirados do contexto. Busque a origem das imagens.
- Confira as datas das notícias e se elas são coerentes.
- Verifique as evidências, citações de especialistas e as fontes do autor da reportagem para confirmar se são confiáveis. Caso contrário, cuidado.
- Leia outras reportagens sobre o mesmo tema. Se não encontrar o assunto em outro veículo de imprensa, isso pode ser indício de que a história é falsa.
- Verifique se a história é uma farsa ou um conteúdo de humorou sátira.
- Faça uma análise crítica das histórias e compartilhe apenas as notícias que você sabe que são verossímeis.

Por Rê Campbell / edição 1307 Folha Universal

A REALIDADE DOS ERROS MÉDICOS

A cada três minutos, dois brasileiros morrem por falhas em hospitais do País. Confira os relatos de quem quase fez parte dessa estatística

Recentemente, os noticiários divulgaram o caso de uma menina de 12 anos que morreu após uma doença grave nos rins e nos pulmões que foi diagnosticada erroneamente como gases.

Horas antes de morrer, ela foi levada à Unidade Básica de Saúde (UBS) de seu bairro, em Iperó, São Paulo, mas foi orientada a voltar para casa. Como o mal-estar persistia, a menina foi levada a outra unidade de saúde. Contudo, não pôde ser avaliada, pois estava fora da faixa etária que era atendida no local.

A família seguiu para outro posto médico, onde foi informado que o quadro, na verdade, era muito grave e que ela estava com edema pulmonar e insuficiência renal. No entanto, não havia mais tempo para que fosse tratada. Alguns minutos depois do atendimento, ela faleceu.

Infelizmente, erros em atendimento médico têm sido muito comuns atualmente. Esse cenário é tão espantoso que a Organização Mundial da Saúde o reconhece como um problema de saúde pública. E não é para menos, já que, no mundo todo, acontecem 42,7 milhões de complicações hospitalares em um universo de 421 milhões de internações realizadas por ano.

No Brasil, o número de falhas médicas é assustador. Conforme um estudo divulgado no final de 2016 pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), até 434 mil pessoas podem ter morrido em 2015 por erros desse tipo enquanto estavam hospitalizadas nos sistemas público e privado do País – o que equivale a dois óbitos a cada três minutos.

De acordo com o estudo, essas mortes estariam à frente daquelas causadas por doenças do aparelho circulatório (que mataram mais de 339 mil pessoas em 2013) e até por câncer (que respondeu por mais de 196 mil óbitos em 2013).

A culpa é de quem?

As complicações durante atendimentos médicos ocorrem por causa de uma infinidade de eventos adversos, como erros na dosagem de medicamentos, uso incorreto de equipamentos e até infecção hospitalar.

As causas também podem estar relacionadas aos profissionais, como baixa remuneração e longas jornadas de trabalho. Porém, nem sempre estão diretamente ligadas a eles, mas a um conjunto de falhas no sistema de saúde, como explica Renato Couto (foto ao lado), professor da Faculdade de Medicina da UFMG e um dos responsáveis pelo estudo. “O determinante é a má organização do trabalho. A atividade assistencial é muito complexa e organizá-la não é algo trivial. Por isso, há técnicas de gestão específicas para esse tipo de organização que não se encontram disseminadas no País, mas que são necessárias para controlar o problema”, diz.

Segundo a pesquisa, grande parte da rede hospitalar não atende aos requisitos mínimos necessários para a segurança dos pacientes. Muitos hospitais, por exemplo, têm superlotação, falta de insumos e informações desatualizadas, que podem causar os erros médicos.

Outro fator que prejudica o atendimento é a falta de transparência dos hospitais. O professor destaca que, no Brasil, eles não são obrigados a divulgar indicadores de qualidade, como tempo de internação ou número de mortes. Além disso, as instituições acabam sendo beneficiadas pelo método de pagamento, que remunera o procedimento e não o resultado gerado. Isso significa que, se uma pessoa fica mais tempo hospitalizada por causa de uma complicação, por exemplo, em vez de o hospital ser punido por não ter prevenido o problema, acaba ganhando mais pelo tempo extra que a pessoa ficou lá. “O modelo de pagamento é o indutor do péssimo funcionamento. Quanto maior a qualidade de organização, menos ela ganha”, aponta Couto.

Ele admite que a superlotação que existe na maioria dos hospitais pode causar erros médicos, mas considera que “dentro da estatística o erro é previsto”. “O que nós da Federação procuramos orientar é que os hospitais estejam sempre informados, acompanhando a legislação que frequentemente está mudando e que eles não atendam acima da sua capacidade”, informa.

O presidente ainda observa que a Federação está atenta ao controle para minimizar as falhas. “A FBH tem a missão de orientar os hospitais para que ofereçam materiais, medicamentos e equipamentos para que os pacientes tenham condições adequadas à sua plena recuperação.”

Para mudar o cenário

A tramitação de processos por erros médicos no Brasil geralmente é muito lenta e são raros os casos de cassação do diploma. De acordo com o advogado Elton Fernandes (foto ao lado), especialista em Direito da Saúde, ainda se vê muita impunidade. “Há casos que tudo leva a crer que houve erro médico, mas o silêncio dos envolvidos e a pressão são tão grandes que ninguém fala, dificultando, inclusive, a realização de um trabalho de prevenção. Já vi até o prontuário médico ser alterado para evitar que o paciente descobrisse o erro e para que tudo parecesse apenas uma complicação natural da cirurgia”, aponta.

Quando uma pessoa passa por um erro médico ela pode denunciar a instituição e o profissional. O objetivo não é prejudicar pessoas ou punir, mas reparar direitos para que os cuidados sejam redobrados e se evitem mais falhas.

É fundamental que médicos e locais de assistência ofereçam atendimento marcado por um bom relacionamento pessoal, com dedicação e tempo de atenção, e que pacientes ou responsáveis aprendam a questionar a forma como serão assistidos e que não julguem toda a categoria por causa de um caso isolado.

Por Janaina Medeiros /edição 1307 Folha Universal

COMPRAS: VOCÊ TEM O DIREITO DE SE ARREPENDER

Consumidor pode desistir da aquisição de produtos comprados pela internet ou por telefone

O que você faz quando vê na tela do telefone ou no computador uma promoção imperdível? Há quem não resista à oferta e adquira, na hora, o produto com preço reduzido. E como você deve agir ao se arrepender da compra feita assim por impulso?

O artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor (CDC) garante ao comprador o direito de desistir dos produtos que ele adquiriu fora do estabelecimento comercial (por telefone, em domicílio, pela internet ou por outro meio similar) dentro do prazo de sete dias corridos, a contar da data da assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço.

Segundo a pesquisa “Perfil do E-commerce no Brasil”, realizada pela empresa Big Data, no País, o mercado de varejo on-line movimentou mais de R$ 90 bilhões em 2016, o maior da América Latina. As compras feitas principalmente pela internet podem gerar problemas para o consumidor, pois ele não tem contato direto com o produto.

Passagens aéreas

Um exemplo desse tipo de compra é a aquisição de bilhetes aéreos. Antes, a aquisição das passagens feitas pela internet não entrava no rol de produtos que poderiam ser devolvidos ou cancelados.

No mês passado, a situação mudou. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) instituiu o direito do arrependimento em até 24 horas. Mas a regra só vale se o cancelamento for feito em até sete dias antes da viagem.

Para isso, o consumidor deve formalizar o pedido à empresa aérea. Isso pode ser feito por telefone ou e-mail. É importante lembrar de guardar cópia do pedido, número de protocolo e o nome do funcionário que prestou o atendimento na hora do cancelamento.

Segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 53% dos brasileiros admitem ter realizado pelo menos uma compra por impulso nos últimos três meses. Esse tipo de compra é um dos principais motivos do descontrole financeiro. Cuide sempre do seu dinheiro e evite dívidas e problemas financeiros.

Por Michele Francisco / edição 1307 Folha Universal

domingo, 23 de abril de 2017

CONTRASTES DO BRASIL: AS ATUAIS DIFERENÇAS ENTRE PB E RN



Mesmo sendo estados vizinhos, Paraíba e Rio Grande do Norte vivem situações completamente distintas entre eles, quando os assuntos são infraestrutura e investimento público. Os contrastes se agravam e tornam-se mais nítidos num momento em que o país enfrenta uma das maiores crises econômicas da história.

Nesta reportagem você vai conferir esses contrastes, enquanto o Governo da Paraíba investe em infraestrutura para melhorar as condições de vida de sua população, o Rio Grande do Norte amarga um retrocesso em todas as áreas do desenvolvimento humano e social.

Confira!

ABUSOS PSICOLÓGICOS MUITAS VEZES COMEÇAM COM UMA “BRINCADEIRA INOCENTE”

Pessoas aparentemente boas podem ser cruéis; adolescentes aparentemente frágeis podem ser cruéis; crianças aparentemente inofensivas podem ser cruéis. É tudo uma questão circunstancial.

O ser humano tem em sua essência uma natureza agressiva e belicosa. Somos uma mistura complexa de ações e reações que vão nos constituindo ao longo da vida, enquanto seres sociais. Somos reativos 99% do tempo. A maneira que encontramos de nos relacionar com os nossos familiares, amigos, amores e conhecidos não é acidental, é uma construção, delicada e perigosamente inflamável, a depender dos anteparos emocionais que tivermos recebido enquanto nossa personalidade estava sendo moldada.

A formação do caráter de cada um de nós tem inúmeras tonalidades e nuances, advindas das incontáveis conexões que vão se estabelecendo entre nós e os outros. Ainda antes de conhecer a luz desse mundo, estamos suscetíveis ao ambiente afetivo no qual iremos nascer. As emoções maternas nos afetam diretamente, posto que passamos cerca de quarenta semanas a partilhar com essa pessoa o mesmo corpo físico. O que ela come nos afeta; o que ela pensa nos afeta; o que ela sente nos afeta.

Ao nascer, sofremos uma abrupta ruptura orgânica de laços de sangue e de afeto. Sermos alimentados ao seio da mãe é uma forma de aliviar esse corte e nos ajudar a ir formando outras redes de relação: somos nutridos física e amorosamente.

No entanto, há inúmeras outras formas de sermos acolhidos, além da amamentação. O contato com a mãe é nossa primeira referência de troca emocional. Bebês que passam por situações de rejeição têm muito mais probabilidades de desenvolver transtornos afetivos e cognitivos.

Os relacionamentos estabelecidos no núcleo familiar são os responsáveis pela nossa formação nuclear afetiva. Esse é o nosso esqueleto emocional, uma estrutura tão organizada quanto o nosso esqueleto ósseo; o que nos manterá de pé ou nos ajudará a encontrar novas posturas, conforme tivermos de nos adaptar às infinitas transformações que nos encontrarão no decorrer do processo de amadurecimento.

Ainda muito pequenos, quando começamos a interagir com outros pequenos, a maneira de nos comunicarmos será uma espécie de imagem holográfica criada a partir de nossas relações familiares. Reproduziremos no contato externo as aprendizagens relacionais que constituem nosso interior. É por isso que observamos crianças mais ou menos disponíveis para o afeto; mais ou menos confortáveis com a troca de experiências; mais ou menos arredias, permissivas ou agressivas no contato com o outro.

Uma vez inseridos em novos meios sociais, vamos nos misturando aos demais. Aprendemos – uns mais, outros menos -, a interpretar linguagens explícitas e não explícitas. Reconhecemos ambientes amigáveis ou não. Avaliamos nossas habilidades sociais, por meio de experiências de acolhimento e rejeição. Vamos criando espaços de contato e cascas de proteção. E no início, tudo isso pode ser muito assustador, dada a nossa pouca experiência de interpretação e assimilação das intrincadas redes de relacionamentos a que estamos expostos por toda a vida.

Já um pouquinho maiores, passamos a revelar de forma mais explícita nossa natureza. O mundo vai lendo nossas reações e ações espontâneas e passa nos definir a partir de sua leitura particular. Ainda que não tenhamos conhecimento pleno disso, as pessoas à nossa volta nos imaginam e classificam, de acordo com seu próprio crivo emocional, cultural e cognitivo. Exatamente da mesma forma que nós próprios fazemos em relação ao outro.

Ocorre que alguns de nós somos mais vulneráveis a esses rótulos, que tanto podem ser do tipo transitório, quanto do tipo “cola definitiva”. Pessoas mais sensíveis, dotadas de estruturas menos preparadas para lidar com as agressões – sejam elas veladas ou não -, representam alvos fáceis demais para aqueles que se desenvolveram afetivamente acreditando que precisam subjugar, diminuir ou destruir o outro para ter uma experiência sócio afetiva gratificante.

Abusos psicológicos muitas vezes começam com uma “brincadeira inocente”. Comentários maldosos feitos “de brincadeira” podem expor de forma negativa aqueles que não adquiriram a malícia necessária para localizar no outro o desejo de ferir. Apelidos depreciativos podem afetar terrivelmente a autoimagem e a estima daqueles que cresceram sem recursos para bloquear os que vivem de invadir o espaço afetivo alheio para se auto afirmar. Isolamentos propositais, podem levar os mais vulneráveis a situações dolorosíssimas de solidão.

As crianças e os adolescentes, muito mais que os adultos, estão sujeitas a situações de abuso psicológico. Tanto a criança quanto o jovem podem estar em situação de risco, uma vez que lidam com o paradoxo entre aquilo que constitui a sua essência familiar e o apelo do grupo. É nesse momento que as redes afetivas construídas e desenvolvidas dentro da família fazem toda a diferença.

Famílias com boas estruturas afetivas têm mais recursos para identificar alterações de comportamento em suas crianças e adolescentes, alterações essas que podem indicar a ocorrência de abusos psicológicos. O apoio emocional é algo que se oferece naturalmente; nada têm a ver com regras rígidas ou superproteção. É preciso olhar atento, escuta ativa e disponibilidade afetiva para ver além do óbvio, para enxergar o comportamento do jovem e da criança além do que é senso comum: “criança inventa coisas” ou “adolescentes são instáveis assim mesmo”.

Muitas famílias deixam passar oportunidades únicas de oferecer aos menores um ambiente propício ao desenvolvimento das habilidades necessárias para interagir com o mundo e as outras pessoas. Se uma criança ou jovem anda mais quieto que o habitual; mais agitado que o habitual; com alterações de humor, sono ou apetite; protagonizando explosões de agressividade ou choro excessivo; evitando o contato com as pessoas mais próximas e buscando isolamento… há que se acender um sinal de alerta.

O melhor que se pode fazer em relação àqueles de nós que se encontram em formação é oferecer-lhes atenção genuína, amor, confiança e confiabilidade. É preciso acreditar numa evidente verdade: eles têm muito o que e sobre o que dizer! É indispensável que sejamos capazes de ouvi-los, sem julgar… ouvi-los apenas. Ajudá-los a fazer sua própria leitura da vida, garantir a eles que estejam em um lugar afetivo seguro dentro de suas próprias casas. É preciso deixar que eles falem em voz alta as dores que gritam em silêncio em suas almas em formação. E é preciso que se faça isso imediatamente, antes que não haja mais nada a ser feito.

Texto de Ana Macarini é Psicopedagoga e Mestre em Disfunções de Leitura e Escrita. Acredita que todas as palavras têm vida e, exatamente por isso, possuem a capacidade mágica de serem resignificadas a partir dos olhos de quem as lê!" No CONTIoutra.

AS CRIANÇAS, AS GUERRAS E O FIM DO HUMANO

Reflexões sobre a menina síria que se rende ao confundir câmera fotográfica com uma arma

Há alguns dias um fotógrafo capturou, na Síria, a imagem desta criança que se rendeu em frente sua câmera. Segundo informações do site Huffington Post, a pequena levantou os braços ao confundir a câmera com um rifle.

Quando ainda menina, lia muito Drummond. Achava um exagero ele dizer que chegaria um tempo de absoluta depuração, em que “(…) os olhos não choram./E as mãos tecem apenas o rude trabalho./E o coração está seco.” Mas hoje eu vi no noticiário uma cena muito peculiar, e a verdade do poema me veio à alma, imediatamente. Um fotógrafo, ao tentar retratar a vida das crianças sírias, conseguiu captar não a frieza deste mundo, mas já a sua consequência. Ele enquadra a criança em sua lente e essa levanta os braços, rendida, pensando ser uma arma.

Deus! Que mundo é este, onde a inocência caminha de mãos levantadas e a alma do mundo não sangra, e os olhos dos homens não choram, e a dor já não nos pode chocar? Que mundo é este cujos avanços tecnológicos não encontram eco na evolução moral dos indivíduos e onde só o que conta são os cifrões?

Um mundo cujo colorido já não é convidativo aos olhos. Onde a beleza é preterida. Onde a pureza dos pequeninos ainda é roubada e banhada do sangue de seus pares, de seus pais e, não raro, do seu próprio sangue. Um mundo cujas crianças já têm a esperança prematuramente envelhecida pela dor que transborda dos noticiários e que não raro floresce ao seu lado. Um mundo em que, a cada dia, o homem teme mais e mais o próprio homem.

Frequentei um curso, há um tempo, e algo me deixou sobremodo perplexa. O instrutor mostrava-nos diversos vídeos com acidentes causados por veículos. Em dada situação, um homem fora atropelado por não olhar para a sua direita quando um carro vinha na contra mão.  Alguns dos colegas, a maioria jovens entre 18 e 25 anos, riram da cena. Noutro atropelamento, a maioria riu. Esboçaram alguma comoção, leve, quando uma criança foi atropelada. Mas, pasmem: um cachorro foi atropelado e, nesse momento, houve uma comoção geral: “Ah, pobrezinho! Tadinho dele!”. 

A banalização da dor do outro é hoje tamanha que os jovens se identificam mais e se comovem mais com a dor de um animal que com a dor de um homem ou de uma criança.

A dor do outro é estatística. “Quanta mortes, mesmo, na Síria? Quantos desabrigados no Acre? Quantas mulheres são agredidas por ano? Quantas crianças são estupradas por parentes próximos?” Não! Essa postura desmerece o infinito que somos, desautoriza a angelitude a que estamos destinados, desmente a centelha do Eterno que permeia a alma de cada um de nós!

Necessitamos ver o outro como parte desprendida, mas ainda ligada a nós por lanços infindáveis de natureza espiritual. Ninguém pode ser plenamente feliz enquanto um só de nós estiver de braços levantados, rendida criança assustada pelos estrondos da guerra, cativa da dor e da morte. Esfomeada de uma Justiça que ela não pode compreender ou dizer, mas, humana que é, já a pode desejar e de sua falta se ressentir.

Que esta criança que hoje vi de mãos levantadas por confundir a câmera com uma arma possa ainda, é o que utopicamente desejo, levantar novamente as suas mãos, mas não por medo. Que ela ainda possa, na pontinha dos pés, elevar os seus braços para brincar com as estrelas.

Por Nara Rúbia Ribeiro, no CONTIoutra

sábado, 22 de abril de 2017

POESIA ENTRE OUTROS VERSOS

Soneto do Amor Total
Vinícius de Morais


Amo-te tanto, meu amor… não cante
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

VEJA 11 GRANDES FILMES PARA QUE VOCÊ POSSA ENTENDER MELHOR A DITADURA MILITAR NO BRASIL

Das sessões de tortura aos fantasmas da ditadura, o cinema brasileiro invariavelmente volta aos anos do regime militar para desvendar personagens, fatos e consequências do golpe que destituiu o governo democrático do país e estabeleceu um regime de exceção que durou longos 21 anos.


Estreantes e veteranos, muitos cineastas brasileiros encontraram naqueles anos histórias que investigam aspectos diferentes do tema, do impacto na vida do homem comum aos grandes acontecimentos do período.

Embora a produção de filmes sobre o assunto tenha crescido mais recentemente, é possível encontrar obras realizadas durante o próprio regime militar, muitas vezes sob a condição de alegoria. “Terra em Transe”, de Glauber Rocha, é um dos mais famosos, retratando as disputas políticas num país fictício. Mais corajoso do que Glauber foi seu conterrâneo baiano Olney São Paulo, que registrou protestos de rua e levou para a tela em forma de parábola, o que olhe custou primeiro a liberdade e depois a vida.

Os onze filmes que compõem esta lista, se não são os melhores, fazem um diagnóstico de como o cinema retratou a ditadura brasileira.

1. MANHÃ CINZENTA (1968)
Olney São Paulo – Em plena vigência do AI-5, o cineasta-militante Olney São Paulo dirigiu este filme, que se passa numa fictícia ditadura latino-americana, onde um casal que participa de uma passeata é preso, torturado e interrogado por um robô, antecipando o que aconteceria com o próprio diretor. A ditadura tirou o filme de circulação, mas uma cópia sobreviveu para mostrar a coragem de Olney São Paulo, que morreu depois de várias sessões de tortura, em 1978.

2. PRA FRENTE, BRASIL (1982)
Roberto Farias – Um homem comum volta para casa, mas é confundido com um “subversivo” e submetido a sessões de tortura para confessar seus supostos crimes. Este é um dos primeiros filmes a tratar abertamente da ditadura militar brasileira, sem recorrer a subterfúgios ou aliterações. Reginaldo Faria escreveu o argumento e o irmão, Roberto, assinou o roteiro e a direção do filme, repleto de astros globais, o que ajudou a projetar o trabalho.

3. NUNCA FOMOS TÃO FELIZES (1984)
Murilo Salles – Rodado no último ano do regime militar, a estreia de Murilo Salles na direção mostra o reencontro entre pai e filho, depois de oito anos. Um passou anos na prisão; o outro vivia num colégio interno. Os anos de ausência e confinamento vão ser colocados à prova num apartamento vazio, onde o filho vai tentar descobrir qual a verdadeira identidade de seu pai. Um dos melhores papéis da carreira de Claudio Marzo.

4. CABRA MARCADO PARA MORRER (1984)
Eduardo Coutinho – A história deste filme equivale, de certa forma, à história da própria ditadura militar brasileira. Eduardo Coutinho rodava um documentário sobre a morte de um líder camponês em 1964, quando teve que interromper as filmagens por causa do golpe. Retomou os trabalhos 20 anos depois, pouco antes de cair o regime, mesclando o que já havia registrado com a vida dos personagens duas décadas depois. Obra-prima do documentário mundial.

5. O QUE É ISSO, COMPANHEIRO? (1997)
Bruno Barreto – Embora ficcionalize passagens e personagens, a adaptação de Bruno Barreto para o livro de Fernando Gabeira, que narra o sequestro do embaixador americano no Brasil por grupos de esquerda, tem seus méritos. É uma das primeiras produções de grande porte sobre a época da ditadura, tem um elenco de renome que chamou atenção para o episódio e ganhou destaque internacional, sendo inclusive indicado ao Oscar.

6. AÇÃO ENTRE AMIGOS (1998)
Beto Brant – Beto Brant transforma o reencontro de quatro ex-guerrilheiros, 25 anos após o fim do regime militar, numa reflexão sobre a herança que o golpe de 1964 deixou para os brasileiros. Os quatro amigos, torturados durante a ditadura, descobrem que seu carrasco, o homem que matou a namorada de um deles, ainda está vivo e decidem partir para um acerto de contas. O lendário pagador de promessas Leonardo Villar faz o torturador.

7. CABRA CEGA (2005)
Toni Venturi – Em seu melhor longa de ficção, Toni Venturi faz um retrato dos militantes que viviam confinados à espera do dia em que voltariam à luta armada. Leonardo Medeiros vive um guerrilheiro ferido, que se esconde no apartamento de um amigo, e que tem na personagem de Débora Duboc seu único elo com o mundo externo. Isolado, começa a enxergar inimigos por todos os lados. Belas interpretações da dupla de protagonistas.

8. O ANO EM QUE MEUS PAIS SAIRAM DE FÉRIAS (2006)
Cao Hamburger, conhecido por seus trabalhos destinados ao público infantil, usa o olhar de uma criança como fio condutor para este delicado drama sobre os efeitos da ditadura dentro das famílias. Estamos no ano do tricampeonato mundial e o protagonista, um menino de doze anos apaixonado por futebol, é deixado pelos pais, militantes de esquerda, na casa do avô. Enquanto espera a volta deles, o garoto começa a perceber o mundo a sua volta.

9. HOJE (2011)
Tata Amaral – Os fantasmas da ditadura protagonizam este filme claustrofóbico de Tata Amaral. Denise Fraga interpreta uma mulher que acaba de comprar um apartamento com o dinheiro de uma indenização judicial. Cíclico, o filme revela aos poucos quem é a protagonista, por que ela recebeu o dinheiro e de onde veio à misteriosa figura que se esconde entre os cômodos daquele apartamento. Denise Fraga surpreende num papel dramático.

10. TATUAGEM (2013)
Hilton Lacerda – A estreia do roteirista Hilton Lacerda na direção é um libelo à liberdade e um manifesto anárquico contra a censura. Protagonizado por um grupo teatral do Recife, o filme contrapõe militares e artistas em plena ditadura militar, mas transforma os últimos nos verdadeiros soldados. Os soldados da mudança. Irandhir Santos, grande, interpreta o líder da trupe. Ele cai de amores pelo recruta vivido pelo estreante Jesuíta Barbosa, que fica encantado pelo modo de vida do grupo.

11. BATISMO DE SANGUE (2007)
Apesar do incômodo didatismo do roteiro, o longa é eficiente em contar a história dos frades dominicanos que abriram as portas de seu convento para abrigar o grupo da Aliança Libertadora Nacional (ALN), liderado por Carlos Marighella. Gerando desconfiança, os frades logo passaram a ser alvo da polícia, sofrendo torturas físicas e psicológicas que marcaram a política militar. Bastante cru, o trabalho traz boas atuações do elenco principal e faz um retrato impiedoso do sofrimento gerado pela ditadura.
Fonte: Pragmatismo Político