segunda-feira, 18 de setembro de 2017

SERVIDORES MUNICIPAIS DÃO PROVA DE RESISTÊNCIA E GREVE CONTINUA

O prefeito batata até que tentou de todas as formas acabar com a greve na pressão e ameaças, mas os servidores e servidoras municipais, numa prova de luta e unidade decretaram, por unanimidade, pela continuidade do movimento.

Servidores votaram unanimamente pela continuidade da greve na assembleia geral da manhã de hoje 18.

Apesar de o prefeito ter entrado com pedido na Justiça de ilegalidade da greve usando falsos argumentos contra os sindicatos e as categorias de servidores, a maioria decidiu na assembleia realizada na manhã de hoje, 18 de setembro, pela continuidade do movimento.

Para o presidente do SindServ. Thiago Costa, só há duas formas agora de os servidores e servidoras voltarem ao trabalho: ou pela via da negociação e do retorno do diálogo do governo municipal com os sindicatos ou por via de imposição judicial, que para isso, os servidores ainda poderão avaliar em assembleia extraordinária se acatam ou não a decisão da Justiça, disse o sindicalista.

Os servidores e servidoras presentes na assembleia decidiram que agora só voltam depois que a Justiça se pronunciar.

Com as medidas impositivas tomadas, o prefeito Batata deu um tiro no pé. A luta continua.

SERVIDORES MUNICIPAIS: PRECISAMOS UNIR NOSSAS FORÇAS ANTES QUE SEJA TARDE DEMAIS

Por Antônio Neves – professor, ex-presidente do SindServ. e atual secretário geral da CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil.

      Companheiros e companheiras

   O momento que nós servidoras e servidores públicos passamos aqui em Caicó, com o escancarado desrespeito aos nossos direitos e a instabilidade no pagamento dos nossos salários, é crítico e merece muita união, força e coragem. A cada dia fica mais clara a desorganização da gestão municipal quanto à forma de lidar com a “coisa” pública e no gerenciamento das finanças municipal; o resultado é nada mais do que querer colocar em nossas costas a conta desse desastre administrativo, situação esta que, para nós, também não é nenhuma novidade, estamos diante de uma tragédia administrativa anunciada desde as eleições passadas.

   O momento não é para lamentações, mas de resistência a todos estes desmandos para nos organizarmos com firmeza e unidade. A grave crise econômica e política que estamos vivenciando no Brasil é exatamente o resultado do confronto da luta de classes que se agravou a partir do golpe midiático-parlamentar e empresarial dado sobre a ex-presidenta Dilma e contra o projeto desenvolvimentista que estava em vigor desde 2002 nos governos Lula. As conquistas obtidas nesse período, resultado das lutas dos trabalhador@s e do povo garantiram melhorias em diversos setores da vida social e econômica da nação, principalmente dos trabalhadores e das camadas populares excluídas, isso tudo revoltou as elites dominantes que não gostam de povo nem de pobre, menos ainda dos trabalhador@s, e a única saída que encontraram, foi o golpe que coloca hoje a democracia e os direitos fundamentais do cidadão em situação de desmonte total: A Reforma Trabalhista, da Previdência, Terceirização, o FIM do Fundeb, arrocho salarial, inflação, demissões, desemprego, aumento das violências contra as mulheres, jovens e negros, homofobia, racismo, intolerância ideológica e religiosa, privatizações, entrega da Amazônia ao capital estrangeiro, repressão policial e constantes ataques ao Estado Democrático de Direito com violações de várias prerrogativas constitucionais de defesa do cidadão nada mais são que parte do desmonte da nação (e isso é só o começo).

   O pacote de maldades que o ILEGÍTIMO presidente Temer (PMDB) e do presidente da Câmara,deputado Rodrigo Maia (DEM) preparam para nós servidores públicos, depois de concretizada todas as reformas em curso com o apoio imoral do STF (Supremo Tribunal Federal), é uma verdadeira armadilha contra a garantia dos nossos empregos, e isso precisa ser compreendido como uma declaração de guerra a todos e todas. Enquanto patrões e governos federal, estaduais e municipais, associados às grandes estruturas econômicas e do capital estrangeiro estão unidos aprovando as reformas de seus interesses, contra o país e o povo, parte dos trabalhador@s assiste a tudo inerte, sem nenhuma reação; tal comportamento não só é perigoso para nós, como significa um consentimento passivo para que eles façam o que bem entendam contra a nação brasileira. Precisamos mirar na defesa dos nossos direitos, do emprego e dos salários, e isso começa pela nossa cidade, nos sindicatos e associações, nas escolas e demais locais de trabalho, através da discussão política e de ações em prol das negociações e rigoroso cumprimento da nossa agenda de reivindicações que, nesse momento está sendo completamente descumprida.

   Isso tudo nos mostra que a luta não é só por salários, mas a continuidade do enfrentamento legítimo do que precisaremos combater, sem medo, num futuro próximo. A tendência, pelo comportamento dos atuais governantes por todo o país E NO NOSSO MUNICÍPIO é que as coisas irão se agravar, e como nós reagiremos a tudo isso é o que vai definir a garantia não apenas dos nossos direitos e salários, mas da nossa própria sobrevivência como servidores públicos. A maléfica intensão do governo é forçar demissões em massas no serviço público em nome de um falso enxugamento da máquina administrativa, porém, contraditoriamente, continua a gastança e a farra com o dinheiro público para comprar deputados e garantir apoio nos parlamentos. Nós não vamos pagar essa conta.

   As ameaças, provocações, mentiras, intimidações e insultos contra nós, cometidos por parte de agentes da gestão municipal desde que deflagramos este movimento paredista em Caicó, faz parte de um jogo antiético e intencional que visa nos confundir, dividir e enfraquecer. Na falta de compromisso, competência e seriedade para governar e de argumentos convincentes que justifiquem as ações e atitudes desastrosas tomadas contra nós servidoras e servidores, resta então à agressão aos direitos e a tentativa de penalizar os que trabalham honestamente. Não temamos. Não nos acovardemos. Não nos calaremos. Se não reagirmos agora, poderemos está alimentando o pior que ainda está por vir, pois nossos inimigos estão no Poder.

   Lutar, resistir, vencer!
   Até o último servid@r.
   Só unidos seremos fortes!


Caicó-Rn 18 de setembro de 2017

sábado, 16 de setembro de 2017

TERRA DE POTI : NUM CENÁRIO DESOLADOR, A AMEAÇA DE MAIS DESEMPREGO NO RN E O ANACRONISMO DA ELITE LOCAL NO CASO DAS FACÇÕES

A notícia de que o Ministério Público do Trabalho do RN (MPT) entrou com uma ação de indenização contra a Guararapes devido a várias irregularidades encontradas em facções têxteis, um estratagema dos grupos empresariais para terceirizar a sua produção e diminuir os custos de trabalho, causou alvoroço na pequena a e anacrônica elite da indústria daqui, com o presidente do Grupo Guararapes, Flávio Azevêdo, ameaçando expandir as facções para a Paraíba e o Ceará, numa clara retaliação ao MPT  por ter se “intrometido” no seu campo dos sonhos.

Por Wellington Duarte – Economista e presidente estadual da CTB/Rn

Lembremos. Em 2013 o Grupo Guararapes fez uma forte expansão das facções, apoiado no Programa Pró-Sertão, do então governo Rosalba Ciarlini e o propósito era de encher o sertão de facções, utilizando mão-de-obra barata e sendo dada a pequenos empresários que seriam apoiados pelos chefetes locais e provinciais. Essa “modernização”, que se aproxima da subcontratação, muito utilizada nos séculos XVIII e XIX pelo setor têxtil, nada mais é do que a diminuição dos custos operacionais da “empresa mãe”, mas que num cenário desolador na indústria têxtil e de confecções do RN, foi recebida de braços abertos pelos trabalhadores seridoenses.

Na época o mentor desse processo foi o então secretário de Desenvolvimento Econômico do RN, Rogério Marinho, encarregado de escolher os locais mais adequados para o estabelecimento das frações, junto com o SEBRAE, FIERN, SESI e por ai vai. Marinho, que abraçou o reacionarismo desqualificado como profissão de fé, logo entrou em atrito com o Ministério Público do Trabalho de “atrapalhar” a implementação do “revolucionário” programa de governo e mesmo depois que saiu do cargo, continuou a vociferar contra o MPT.

A expansão das facções acabou gerando o que naturalmente o capitalismo faz: concentrar. Se a produção foi desconcentrada na planta principal, rapidamente surgiram condições de reconcentração desse capital espalhado. Como exemplo tem-se a CMedeiros, cujo proprietário pelo vice-presidente da Associação Seridoense de Confecções, Ricardo Medeiros, que hoje controla 11 facções e detém mais de 400 empregos.

Em março desse ano, com a aprovação da terceirização ampla, geral e irrestrita, os empresários do setor têxtil soltaram rojões por aqui, comemorando a possibilidade de expansão dos seus negócios com precarização do trabalho, sem ter que responder à lei. A Guararapes, principal beneficiária do projeto Pró-Sertão, com 61 facções produzindo 500 mil peças para o grupo e representando 17% da produção instalada do Distrito Industrial de Extremoz, com 3 milhões de peças produzidas.

Pelo menos 62 facções têxteis do Seridó, distribuídas pelas cidades de Parelhas, Cerro Corá, São José do Seridó, São Vicente, Acari e Jardim do Seridó, e cerca de 2.600 trabalhadores, podem ser atingidos no processo, já que a Guararapes se recusa a reconhecer essas facções como parte da sua estrutura e a multa seria repassada aos donos das oficinas e obviamente os mesmos não teriam como pagar.

Ocorre que, de acordo com os procuradores do Trabalho, a responsabilidade solidária da Guararapes se dá no momento da assinatura do contrato de adesão com essas facções, que ficam obrigadas a produzir de acordos como as especificação da matriz, o que significa ter maquinário moderno e adequado, ou seja, seria necessário uma produção e um preço que permitisse a reprodução do Capital inicialmente investido. Sendo de adesão, as facções não podem negociar nada e o preço por peça é determinado unilateralmente pela “empresa mãe”.

De acordo com os procuradores, como a Guararapes não é obrigada a fazer um fornecimento regular das peças para as facções, mas pode cobrar seu envio, criou-se um desequilíbrio entre a capacidade de pagamento e o aferimento de lucros e muitas pequenas facções faliram e não tendo capital de giro, se meteram em ações trabalhistas por parte dos demitidos.

E mais, a adoção das facções não aumentou o emprego no setor, já que a Guararapes baixou de 10.034 empregados em dezembro de 2013, para 7.539 empregados em abril de 2017, uma redução de 28,8%, o que demonstra que as facções apenas absorveram, em boa medida, a diminuição do total de empregados da “empresa mãe”, sempre de acordo com os procuradores do Trabalho.

Com a notícia em curso, nas carreiras Robinson reuniu ontem (14) os donos de facções e disse que pretende lançar mão do que dispõe para ajudar os donos dessas oficinas de ofício, a saírem dessa situação e os presidentes da FECOMERCIO, deputados estaduais, o próprio belicoso Rogério Marinho, saíram em defesa da Guararapes, afinal, segundo eles, “geram empregos”, colocando os procuradores do trabalho como os “vilões” do caso.

Interessante notar que nesse mundo empresarial hipócrita, o capitalismo é de araque, pois quando se fala em competitividade se pensa imediatamente numa ação governamental que proteja os interesses do setor têxtil. A Guerra Fiscal, típica desse ordenamento tributário e fiscal tosco que o Brasil tem e graças aos governadores, que teimam em não querer uma reforma tributária é utilizada ampla e desavergonhadamente pelos empresários para chantagearem os governos, criou uma espécie de “padrão de chantagem” que se repete a cada tosse que a história dá, e no caso das facções, os interesses da “empresa mãe” são colocados bem acima dos interesses de quem gera a riqueza efetiva, e esse mereceria, pelo menos, mais atenção dos pseudo-capitalistas.

Com 140 facções espalhadas pelo RN, sendo que 62 estão ligadas à Guararapes, gerando pelo menos 5 mil empregos diretos, a melhor forma de sair desse impasse, se é que existe, e que o governo intermediei negociações que preservem os empregos, mas que se exija responsabilidade da Guararapes, afinal, com a volta da escravidão disfarçada em novembro, ela pode se dedicar a espoliar, sob as algibeiras da lei, os trabalhadores do setor.

Seria, entretanto, de bom alvitre, para todos os envolvidos, ouvirem a opinião dos que são representantes dessa categoria, pois a tendência "natural" no RN é que o lado gerador de riqueza na relação entre o Capital e o Trabalho, este último portanto, é sempre colocado em segundo plano.

O resto é discurso.

MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO EMITE NOTA SOBRE AÇÃO QUE ENVOLVE GUARARAPES E FACÇÕES DO INTERIOR

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Sobre a ação civil pública contra a Guararapes Confecções S/A (ACP 0000694-45.2017.5.21.0007), o Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Norte esclarece que:

A ação proposta contra a empresa Guararapes, para sua responsabilização quanto aos direitos trabalhistas dos empregados das facções de costura, foi elaborada pelo Grupo de Procuradores do Trabalho vinculados à Coordenadoria Nacional de Combate às Fraudes – CONAFRET, que realizou inspeção nas facções e analisou as condições de trabalho e o conteúdo dos contratos de facção utilizados pela Guararapes. A ação não foi proposta contra nenhuma facção de costura e não tem por fundamento a ilicitude da terceirização, mas a existência de subordinação estrutural e responsabilidade solidária.

O MPT realizou inspeção em mais de 50 facções, em 12 municípios, e constatou que os empregados das facções recebem menor remuneração e têm menos direitos trabalhistas do que os empregados contratados diretamente pela Guararapes, inclusive quanto à saúde e segurança do trabalho. Na inspeção, foram ouvidos trabalhadores e faccionistas, que relataram as dificuldades financeiras pelas quais vêm passando para pagar salários, 13º e férias, pois o preço da costura das peças, fixado pela Guararapes (atualmente R$ 0,35 o minuto), não é suficiente para cobrir os custos operacionais.

Muitas facções já foram forçadas a encerrar suas atividades e seus proprietários se encontram endividados, porque tiveram que financiar as máquinas e equipamentos de costura, adquiridas de acordo com as especificações técnicas fornecidas pela Guararapes, para a costura de jeans.

Os contratos de facção utilizados pela Guararapes são contratos de adesão, porque as microempresas de facção não negociam suas cláusulas e as obrigações são estipuladas unilateralmente pela Guararapes, inclusive o preço a ser pago, e o contrato não prevê aviso prévio, em caso da Guararapes suspender o envio de peças para costura.

A Guararapes não garante o envio regular de peças para as facções de costura, podendo diminuir a quantidade de peças enviadas, de acordo com os seus interesses, situação que tem sido, ao lado do preço do serviço estipulado no contrato, causa do fechamento de facções.

A própria Guararapes informou que transferiu 17% da sua produção, no Município de Extremoz, para as facções do Pró Sertão. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho demonstra que não houve criação de novos empregos, pois em dezembro de 2013 (ano de criação do Programa Pró Sertão) a Guararapes contratava 10.034 empregados, e em abril de 2017, o seu quadro de pessoal era de 7.539 empregados.  A conclusão é que a Guararapes não gerou novos empregos no RN, mas transferiu empregos diretos da sua fábrica para as facções, transferindo para essas microempresas todo o risco da atividade econômica.

Centenas de ações individuais já foram propostas pelos empregados demitidos das facções, na Justiça do Trabalho, cobrando parcelas rescisórias que não foram pagas e, inclusive, alegando a responsabilidade da Guararapes pelo pagamento dessas verbas.

Os fatos verificados na inspeção e que fundamentam a ação do MPT estão demonstrados no processo por meio de depoimentos, fotos, vídeos, laudos periciais e informações apresentadas por órgãos públicos e pelo Banco do Nordeste.

O pedido de indenização por danos morais coletivos, no valor de R$ 37.723.000,00 (trinta e sete milhões setecentos e vinte e três mil reais), corresponde a parte do lucro obtido com o trabalho das facções. O lucro líquido consolidado da Guararapes/Riachuelo, em 2016, foi de R$ 317.600.000,00 (trezentos e dezessete milhões e seiscentos mil reais). Em caso de condenação, o valor deverá ser destinado a instituições sem fins lucrativos.

Aroldo Teixeira Dantas
Procurador-Chefe Substituto
Procuradoria Regional do Trabalho da 21ª Região

TERRA BRAZILIS : DESMORALIZAÇÃO DA FARSA A JATO E DA PGR E A BUSCA DOS GOLPISTAS PARA MANTER O REGIME DE EXCEÇÃO

O “carnaval” promovido pelo senhor Janot, um ator em final de cena e prestes a sair do espetáculo, não poderia ser mais dantesco. Com a exposição de que as delações da JBS foram feitas de forma escandalosa, com a inclusão de um procurador nessa lama, o senhor Janot resolveu buscar desviar os olhares para outro alvo, e no caso ninguém mais apropriado do que o ex-presidente Lula e o seu partido, o PT, para criar essa cortina de fumaça.

 Por Wellington Duarte – Economista, professor da UFRN e presidente estadual da CTB/RN

A descoberta, que alguns dizem que a Polícia (sic) Federal sabia há muito, num apartamento de um certo bufão do PMDB, braço direito do Traidor Temer, que em 2015 sai às ruas, com transmissão da Globo, para engrossar as manifestações contra Dilma, a favor de Cunha e bradando contra a corrupção, uma dinheirama que passa dos R$ 50 milhões, em espécie, não teve a atenção devida dos meios de comunicação, preocupados em ajudar a cortina de fumaça a não “afetar” o escândalo que envolve a PGR.

E o senhor Moro, um juizeco tucano metido a Inquisidor Vestal, encenou mais uma delação, com um derrotado e alquebrado Palocci, antigo membro do alto escalão do PT, cuspindo veneno contra o “grande Satã” Lula, num espetáculo deprimente para o Judiciário brasileiro, aprisionado por essa camarilha que destruiu a indústria do país, causando mais de 6 milhões de desempregados, numa espécie de “guerra santa”, que de “santa” nada tem, contra a corrupção, embora seus principais generais não se importem em vender palestras descaradamente ou se vejam envolvidos em esquemas nebulosos com a APAE do Paraná. A grande cena serve ao Golpe.

 A “grande solução” dos golpistas é continuar a devastação do Estado brasileiro, entregando seus últimos ativos aos estrangeiros e criar um “ambiente controlado” para que se dê a impressão de que os “mecanismos da democracia” continuam funcionando “perfeitamente”, como dizem os enfadonhos e pouco úteis ministros do STF, que aliás nunca serviu para lutar pela democracia, basta ver como foi em 1964. O tal “ambiente controlado” implica em criminalizar os movimentos sociais; criar travas para que os servidores públicos não possam fazer greves; destruam os sindicatos via reforma trabalhista; e criem um monumental “exército de reserva”, silencioso por estar completamente à mercê do Capital e, portanto, à sua disposição.

A maior cartada dos golpistas é neutralizar Lula e isso já está em pleno andamento pois os indícios de que o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região (TRF-4) irá confirmar a pena de Moro, embora os juristas e constitucionalistas sejam quase unânimes em dizer que a tal “peça” do Inquisidor é um escândalo. O presidente do TRF-4, Thompson Flores, já se antecipou puxando o saco de Moro, tecendo altos elogios a um documento que confessa que não leu. Lula está condenado e é bom a Esquerda ir se preparando para este cenário.

Um outro campo é a reforma política cujo discurso, agradável ao senso comum, é possibilitar ao eleitor votar no “seu” candidato, deixando em segundo plano os partidos, daí a defesa do tal “distritão” uma espécie de “feudão” moderno, que eternizaria os coronéis, os oligarcas e os seus apaniguados nas diversas instâncias de representação.  Até os liberais se assustaram com essa proposta.

As pessoas “comuns” pode não saber, mas 124 dos 513 deputados já mudaram de partido desde 2015 e já ocorreram 168 modificações até recentemente e os golpistas, junto com a Globo utilizam esses números e mais a falsa discussão sobre o Fundo Partidário, para empurrar goela a baixo um sistema eleitoral que preserve os golpistas e fulmine a representação dos últimos bastiões da Esquerda (PT, PCdoB e PSOL), que hoje, somadas, não chegam a 80 deputados.

A montagem de um tabuleiro controlado, num regime de exceção travestido de “democracia”, e com as canalhices dos diversos figurões do “new” regime enchendo as telas dos noticiários, enquanto a economia produz desempregados, miséria e desordem social, é a forma com o qual contam os golpistas para manter o silêncio cúmplice da classe média, agora satisfeita com o impedimento da ascensão “dos de baixo”, que ameaçava seu “campo social”; e manter a desorganização nas camadas mais baixas da pirâmides, assoladas pelo desemprego e sem perspectivas para um futuro próximo.

A Esquerda, ainda buscando a melhor forma de construir uma frente ampla, é lenta na combinação de forças, exatamente pela diversidade tática, está na defensiva e se mexe de acordo com as ações dos golpistas, embora a Caravana de Lula tenha mexido com os brios dela, ainda não é o lance mais ousado.

E vivemos na Terra Brazilis, onde a República dos Ladrões instalou o “Esculhambaquistão”.

VEM AÍ UM NOVO GOLPE?

O fato de Lula liderar as intenções de voto para 2018 cria um impasse para os donos do dinheiro que afastaram o PT do governo. Eles não deram um golpe para assistir, pouco mais de dois anos depois, à vitória de Lula e à volta do PT. Assim, abre-se um novo leque de possibilidades.

O recurso que deve ser apresentado pelos advogados de Lula ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª região, em Porto Alegre, sobre a condenação sem provas de que o ex-presidente seja dono do tríplex do Condomínio Solaris, no Guarujá, pode, eventualmente, anular sua condenação e deixá-lo em condições de disputar as eleições de 2018. Mas, se os juízes Leandro Paulsen, Victor Luiz dos Santos Laus e João Pedro Gebran Neto, tidos como linha-dura e com a mesma perspectiva de Sérgio Moro, reafirmarem a sentença deste último, Lula se tornará ficha-suja e ficará de fora das eleições do ano que vem.

No cenário em que Lula pode ser candidato a presidente nas eleições de 2018, ele tem grandes chances de ganhar se observarmos os dados da última pesquisa Vox Populi/CUT, realizada no fim de julho, que o coloca na liderança das preferências do eleitorado com larga margem de vantagem sobre todos os demais candidatos pesquisados e crescendo em relação à pesquisa anterior. Na sondagem espontânea, isto é, sem apontar candidatos, Lula tem agora 42% da preferência do eleitorado. Bolsonaro, 8%. Marina, 2%. Moro, 1%. Ciro, 1%. Joaquim Barbosa, 1%. Doria, 1%. Alckmin, 1%. Aécio, 0%. Brancos e nulos, 16%. Não sabe/não respondeu, 25%.1 É importante observar o quanto a população está desacreditando nas eleições ou não sabe quem escolher. Se somarmos brancos e nulos e não sabe/não respondeu, teremos 41% dos entrevistados.

Essa situação cria um impasse para os donos do dinheiro que afastaram o PT do governo. Eles não deram um golpe para assistir, pouco mais de dois anos depois, à vitória de Lula e à volta do PT. Assim, abre-se um novo leque de possibilidades. A primeira delas é manter a condenação de Lula de qualquer jeito, mesmo sem nenhum crime, como foi feito com Dilma. Mas isso não assegura que o resultado das eleições mantenha a oligarquia financeira no controle da máquina pública. Mesmo impedido de disputar as eleições, Lula será um grande eleitor, e é preciso considerar que as políticas antipovo do governo Temer e a falta de uma forte liderança de direita levam a população a votar na oposição.

Outra possibilidade, já aventada no Congresso, é que, em nome de uma economia de recursos, a reforma política unifique as eleições municipais com a eleição federal, empurrando tudo para 2020. Os atuais mandatos seriam prorrogados. Mas aí fica o problema do que fazer com Temer, que poderia ser substituído por Rodrigo Maia (DEM-RJ), o atual presidente da Câmara dos Deputados. Na avaliação dos mesmos conservadores, Maia não tem perfil para cumprir essa missão.

A alternativa mais recente é a de Gilmar Mendes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que encaminhou aos presidentes da Câmara e do Senado proposta para introduzir o parlamentarismo no Brasil. Neste cenário, Lula pode ganhar, mas não governa.

Por fim, resta a via de reforçar o autoritarismo, simplesmente adiando as eleições de 2018, para quando não se sabe.

Todas essas possibilidades, arquitetadas pelas elites endinheiradas e seus representantes na política, não dão conta da complexidade do momento político brasileiro. A polarização produzida pelas políticas antipovo, o verdadeiro ataque aos direitos das maiorias, mudou o cenário. O atual governo não conta com apoio de mais de 5% da população, e não são só os trabalhadores que estão bravos em razão das reformas trabalhista e da Previdência, do corte nas políticas sociais e nos salários; as classes médias estão enfurecidas com a perda de seu poder aquisitivo, com o medo do desemprego, por terem sido manipuladas, embarcado num movimento anticorrupção e terem sido enganadas. Tudo isso até o momento está represado. Essa tensão toda ainda não encontrou seu canal de expressão.

Seria um erro das oposições, daqueles que defendem a democracia e os direitos, apostar todas as fichas na eleição do ano que vem. E se não houver eleições? Outro erro seria manter uma política de conciliação com aqueles que estão esfolando o povo.

O verdadeiro desafio para as oposições é buscar o contato com as pessoas comuns, mergulhar na sociedade e disputar a hegemonia apresentando as alternativas de como podemos sair da crise e construir um Brasil que coloque a economia a serviço do bem-estar de todos, assegure boas condições de vida e apresente um futuro promissor para os jovens, garantindo emprego, salário, saúde e educação.

O esforço de mobilização da sociedade já começou. As caravanas de Lula fazem parte dessa disputa. A iniciativa Vamos!, da Frente Povo Sem Medo, vai no mesmo sentido.2

O jogo está sendo jogado e a participação de cada um será determinante para sabermos o resultado…

Texto de Silvio Caccia Bava, diretor e editor-chefe do Le Monde Diplomatique Brasil
{Le Monde Diplomatique Brasil – edição 122 – setembro de 2017}
1 Pesquisa Vox Populi/CUT. Disponível em: <www.cartacapital.com.br/politica/cut-vox-populi-sentenca-de-moro-impulsiona-lula-candidato>.
2 Site: <www.vamosmudar.org.br>.

PATRIARCADO E A CULTURA DO ESTUPRO NO BRASIL

A cultura do estupro é, em termos gerais, a banalização e normalização desse crime pela sociedade que compactua e estimula essa cultura de diversas maneiras, por exemplo, quando objetifica as mulheres nos meios de comunicação

Em 21 de maio passado, no Rio de Janeiro, um crime brutal, cometido a uma garota de 16 anos, chocou parte considerável da sociedade brasileira. A adolescente foi estuprada por mais de trinta homens, sendo ao menos um deles conhecido da garota, pois era o seu namorado. Outros dois estupros ocorreram na mesma semana. No dia 20, uma garota de 17 anos, de Bom Jesus (PI), foi estuprada por cinco homens – segundo a investigação, um deles seria próximo da garota. O outro se passou em uma escola em São Paulo. No dia 19, três garotos arrastaram e tracaram uma menina de 12 anos no banheiro masculino onde a estupraram.

Os crimes ocorridos, é importante que se diga, são parte da cultura do estupro. A cultura do estupro é, em termos gerais, a banalização e normalização desse crime pela sociedade que compactua e estimula essa cultura de diversas maneiras, por exemplo, quando objetifica as mulheres nos meios de comunicação, culpabiliza as vítimas, não vê problemas nos assédios que as mulheres sofrem diariamente nas ruas, incentiva os meninos desde criança a serem os “pegadores” e as meninas a aceitarem serem beijadas e tocadas à força por seus colegas, afinal isso é “bonitinho”, como dizem os pais na maioria das vezes.

A cultura do estupro, por sua vez, faz parte de um sistema maior, o patriarcado. E é esse sistema maior que reforça a cultura do estupro. O sistema patriarcal consiste na estrutura de pensamento que insiste no modelo de interação baseado na dominação dos homens sobre as mulheres. Nesse sistema de pensamento, o dominador/homem crê ser superior à dominada/mulher. A crença deriva dos discursos de validação da hierarquia histórica e culturalmente estabelecida, tal como o discurso, por exemplo, que define a mulher, dentre outros, como objeto do prazer masculino. Com esses discursos de validação da hierarquia o dominador procura justificar as atrocidades cometidas pelos homens às mulheres.

Dados oficiais mostram o quanto a cultura do estupro está fortemente presente na sociedade brasileira, não nos esqueçamos da pesquisa realizada pelo IPEA, divulgada em 2014, “Tolerância social à violência contra as mulheres”,1 na qual 58,5% dos entrevistados colocavam a culpa na vítima do estupro justificando que, se as mulheres soubessem se comportar, haveria menos estupros. Essa tentativa de livrar os homens da culpa é intolerável. Primeiro, a culpa nunca é da vítima; segundo, o estupro não tem e não pode ter justificativa; terceiro, casos de estupros às mulheres ocorrem nas mais diversas situações, ocorrem dentro de casa, da universidade, da escola, nas ruas, em bairro ricos, de classe média ou populares. Eles ocorrem independentemente do tipo de roupa que as mulheres estejam usando ou do comportamento delas. No ano de 2014, de acordo com o 9º Anuário Brasileiro de Segurança Pública,2 foram registrados 47.646 casos de estupros no Brasil. Mas esse número pode ser ainda mais aterrorizador se considerarmos a nota técnica “Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde”,3 que sugere, a partir da pesquisa do IPEA já mencionada, que somente 10% dos casos são registrados e que haja anualmente 527 mil tentativas ou caso de estupros consumados no país, o que significa que os dados apresentados. Ainda segundo a nota técnica, 15% dos estupros são coletivos, ou seja, os casos acima estão longe de serem isolados.

Diante desse quadro de extrema violência às mulheres, temos outro que é desanimador: o quadro político conservador brasileiro. O Congresso Nacional tem se mostrado extremamente misógino e avesso às políticas para as mulheres. A conhecida bancada “bbb (bancada da bíblia, boi e bala)” tem apresentado projetos de lei que são verdadeiros retrocessos em termos de políticas públicas e de direitos humanos para as mulheres. Exemplo evidente disso é o Projeto de Lei 5.0694 apresentado pelo deputado Eduardo Cunha e aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, em outubro de 2015.5 A proposta dificulta o atendimento nos serviços públicos de saúde às mulheres que escolherem interromper uma gravidez decorrente de estupro. Isso porque os médicos serão proíbidos de fornecer atendimento e informações para as vítimas. A vítima terá que provar por meio de boletim de ocorrência ou exame de corpo de delito que houve estupro. Esse projeto de lei não só retira um direito fundamental como faz coro à cultura do estupro ao culpabilizar a vítima.

Em uma sociedade conservadora como a nossa é quase certo que a mulher que sofre estupro ou tentativa irá pensar muitas vezes se vale a pena ou não denunciar. As razões pelas quais as mulheres vítimas de estupro não denunciam são inúmeras: medo por denunciar o estuprador e ter a própria vida ou de seus familiares ameaçada; medo de ouvir que é ela, a vítima, a culpada; e a sensação de impunidade e de normalização desse crime que afasta as vítimas dos órgão oficiais. Sabemos que falta no Estado estrutura tanto física quanto de pessoas preparadas para tratar o crime de estupro e das demais violências contra as mulheres. Veja-se o caso do delagado, afastado da investigação do crime ocorrido com a adolescente no Rio de Janeiro, que declarou após ouvir e ver os vídeos não ter certeza de que havia ocorrido um estupro. É a cultura do estupro presente nas declarações dos representantes do Estado.

A cultura do estupro, como um subproduto do patriarcado, não terá fim enquanto a culpa for colocada na mulher; não houver punição para os estupradores; tivermos representantes do alto judiciário conivente com o estupro e com o estuprador – como é o caso do ministro Gilmar Mendes que em 2009 livrou da prisão o estuprador Roger Abdelmassih, condenado por estuprar 52 mulheres e abusar sexualmente de outras dezenas; tivermos um ministro da Educação (Mendonça Filho) que convida para ouvir sobre a pasta o ator Alexandre Frota que declarou em rede nacional ter estuprado uma mãe de santo; tivermos um presidente misógino, como é o caso do Michel Temer, que acabou com os ministérios das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.

Precisamos acabar com a cultura do estupro e com a cultura da violência contra as mulheres e podemos começar com a educação, um processo mais longo, sei, porém com resultados mais sólidos. Mas a educação deve ser de outro tipo. Precisamos de uma educação que ensine para os meninos, desde crianças, que o corpo da mulher não é objeto, que ele não existe para ser violado e para ser agredido. Precisamos de uma educação onde o respeito ao outro seja ensinado. Precisamos de uma educação mais amorosa.

Texto de Vânia dos Santos Silva - pesquisadora de Estudos Clássicos na Universidade de Coimbra. E-mail: vania21santos@gmail.com.
1http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/SIPS/140327_sips_violencia_mulheres_novo.pdf
2 http://www.forumseguranca.org.br/storage/download//anuario_2015.retificado_.pdf
3http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/nota_tecnica/140327_notatecnicadiest11.pdf
4http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=1381435&filename=Tramitacao-PL+5069%2F2013

A URGENTE LUTA EM DEFESA DO BRASIL NA CRISE QUE SE AGRAVA

No tiroteio generalizado em que a conjuntura política se transformou, a crise institucional se transforma rapidamente em crise de Estado, tamanho é o agravamento do confronto que o país assiste entre altos membros de instituições públicas nacionais.

Integrantes do Executivo, do Judiciário e do Legislativo frequentam o noticiário de forma jamais vista – e vão além das ignóbeis cenas dos pacotes de dinheiro de Geddel Vieira Lima. Temer, acusado como chefe da quadrilha que tomou o poder com o golpe de 2016, defronta-se com a Procuradoria Geral da República, e há uma atividade feérica de todos contra todos, em busca da salvação da própria pele.

Nesse quadro, o ocupante da Presidência da República vai implementando o receituário de desmonte do Estado brasileiro e de destruição dos direitos do povo e dos trabalhadores. Cria dificuldades enormes para a indústria, faz milhões de desempregados, despreza e enxovalha a soberania nacional. É uma lista infindável de obstáculos que o governo Temer opõe ao desenvolvimento nacional, comprometendo a democracia e também a renda, o emprego e a qualidade de vida de todos os brasileiros.

O governo conservador e entreguista de Michel Temer revela enorme desprezo ao povo e ao país. E enfrenta os brasileiros, que precisam – mais do que nunca – encontrar a saída para barrar a sanha conservadora e antinacional.

A saída é política e pode resultar de um projeto forjado na unidade de amplas forças políticas.  A luta precisa mirar na defesa dos direitos dos brasileiros e da nação, em defesa da produção, do trabalho, do emprego e da renda; do fortalecimento do Estado nacional e da soberania do país.

Neste sentido, tem grande relevância o manifesto assinado por centenas de entidades sindicais de trabalhadores e empresários da indústria e entregue ao governo nesta terça-feira (12), exigindo medidas pelo desenvolvimento, emprego e renda.

A união de forças em busca da retomada do desenvolvimento e defesa da indústria nacional é o caminho.

O BRASIL SOB A DOUTRINA DE CHOQUE

A fórmula de política econômica que está sendo implementada no Brasil, um ultraneoliberalismo anacrônico, representa um assalto a renda e as condições de vida do povo brasileiro 

Por Jose Álvaro de Lima Cardoso

Medidas impostas ao Rio de Janeiro incluem fim do ensino superior e são mais drásticas que as exigidas da Grécia. BNDES está a um passo do desmonte definitivo. País parece seguir agenda dissecada por Naomi Klein

No início de setembro o ministério da Fazenda emitiu parecer sobre o Regime de Recuperação Fiscal (RRF) do Rio de Janeiro, propondo uma série de medidas adicionais em relação às existentes no citado regime: mais cortes de gastos, demissão de servidores ativos, extinção de vários benefícios dos servidores, obtidos ao longo de anos, e a criação de uma alíquota extra de contribuição para a Previdência Estadual. O Rio aderiu ao Regime de Recuperação Fiscal, assinado com o governo federal, para o enfrentamento da brutal crise fiscal, fruto de desmandos, má gestão, e assalto aos cofres públicos por parte de governos. O parecer do ministério da Fazenda é simplesmente destrutivo, e propõe medidas como:

> venda de outras empresas públicas (além da Companhia Estadual de Água e Esgoto – CEDAE);
> fim da oferta de Ensino Superior;
> “reforma” do Regime Jurídico Único dos Servidores;
> demissão de servidores ativos;
> contribuição previdenciária para inativos (aposentados e pensionistas);
> cobrança de alíquota extra de contribuição previdenciária (além dos 14% que já estão aprovados).

Tais medidas, segundo a imprensa, serão implementadas no caso de o estado do Rio não conseguir realizar o ajuste já acertado no Regime de Recuperação Fiscal. Durante a vigência do RRF um Conselho de Supervisão irá monitorar as contas do estado. Alguns dias antes da divulgação do referido parecer do ministério da Fazenda, a Câmara dos Deputados aprovou (mais exatamente no dia 24 de agosto) a Medida Provisória (MP) 777/2017, que cria a Taxa de Longo Prazo (TLP), para substituir a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) nos financiamentos [1]do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A MP-777 define que a nova TLP se aproximará das taxas do mercado, o que significa encarecer o financiamento de longo prazo para indústrias, máquinas, equipamentos e infraestrutura, já que o Brasil pratica as taxas de mercado mais elevadas do mundo (há décadas).

A aprovação dessa medida, por parte dos golpistas, até as pedras já previam. A ideia desse pessoal é retirar qualquer capacidade de o Estado intervir estrategicamente na economia, e, como se sabe, o BNDES ocupa papel histórico fundamental no provimento de crédito ao setor privado no Brasil. O banco já vem sendo esvaziado desde o início do governo golpista, mas essa medida aprofunda o ataque, e tende a desidratar ainda mais o papel do BNDES na economia brasileira. O fim da TJLP atende exigência do capital financeiro, um dos principais blocos de articulação do golpe. É sabido que o Ministério da Fazenda e o Banco Central estão absolutamente subordinados ao sistema financeiro, sem nenhuma dúvida. Alguns parlamentares de oposição, na discussão da MP, ficaram apontando as grandes e evidentes contradições da Medida Provisória, mas esta não é a questão fundamental.

O esvaziamento do BNDES, com o consequente reflexo nas condições da indústria, advém da lógica do golpe. Os golpistas estão desarticulando, de caso pensado, toda a estrutura produtiva que o Brasil construiu ao longo de décadas, desde Getúlio, fundamental para garantir uma indústria de base nacional, mesmo que com limitações. E o BNDES tem o papel fundamental de provisão de crédito de longo prazo, com crédito subsidiado, essencial num país que pratica, há décadas a maior taxa de juros do planeta.

Mas os ataques ao Estado brasileiro não cessam por aí. Segundo notícia do jornal Valor, do último dia 6, Henrique Meirelles enviou ao Tribunal de Contas da União uma consulta sobre como vender as “golden share”, de empresas como a Vale, a Embraer e o instituto de Resseguros do Brasil. Essas ações em posse da União, apesar de reduzidas quantitativamente, dão ao governo o poder de veto a decisões consideradas lesivas ao interesse nacional nessas empresas que foram privatizadas. Essas ações são, portanto, uma espécie de garantia contra transações que possam prejudicar o Pais, como por exemplo, a [2] transferência da sede para um outro país. Segundo a mencionada reportagem, o TCU está vendo a proposta com cautela, porque essas ações significam direitos, e não patrimônio, e não poderiam ser vendidas, em princípio. É muito provável que o Tribunal de Contas encontre uma forma “legal” de entregar essas ações ao capital internacional, por que isso é da natureza do golpe que o Brasil está sofrendo.

O Brasil está sendo submetido a uma “Terapia de Choque” e sujeito aos efeitos da implementação de uma verdadeira “agenda de guerra”. Um dos objetivos centrais da referida agenda é impedir a retomada da industrialização e internacionalizar ainda mais a economia brasileira, tornando o país uma plataforma de matérias primas das multinacionais. Estão fazendo tudo muito rapidamente, como recomenda a tal Doutrina do Choque.

A fórmula de política econômica que está sendo implementada no Brasil, um ultraneoliberalismo anacrônico, representa um assalto a renda e as condições de vida do povo brasileiro. Tal política fracassou em todo o mundo. Claro, um fracasso do ponto de vista da nação, porque as minorias enriquecem com as privatizações e o torra-torra de patrimônio púbico. Se implementarem até o fim essa agenda de guerra, havendo ou não eleições em 2018, haverá, inevitavelmente, reação social. O conjunto de maldades que está sendo encaminhado contra o povo e contra o país se tornará cada vez mais evidente, até para os mais crédulos. Ficará cada vez mais claro que foi aplicado um golpe dos poderosos, menos de 1% da população, contra mais de 99% dos brasileiros. É uma questão de tempo.

Fonte: Outras Palavras

PREZADOS PAIS, PRECISAMOS FALAR SOBRE SUICÍDIO NA ADOLESCÊNCIA

“Vou lhes contar a história de um jovem estudante de arquitetura, aspirante a piloto da aeronáutica e poeta. Cresceu dentro da normalidade de uma família de classe média baixa de pais separados. 

Era um bom filho. Dedicado aos estudos e muito amoroso com os familiares e também com seus amigos. Aos 14 anos começou a fazer o uso de substâncias psicoativas e como a sua vida parecia seguir dentro da ‘normalidade do uso recreativo da maconha’. Ele concluiu lindamente o ensino médio; ganhou 3 medalhas nacionais de matemática e física; foi tricampeão de Caratê; passou em todos os concursos que prestou, inclusive no vestibular de arquitetura da Universidade Estadual de Goiás, e se preparava para a prova de admissão para piloto da aeronáutica quando algo extraordinário aconteceu: Ele teve um surto psicótico.

Aos 19 anos, ele entrou em Franco Surto Psicótico. Sim, ele surtou literalmente: Ouvia vozes, via pessoas sem cabeças transitando pelas ruas, achava que tinha o poder curar pessoas e animais, arquitetou um plano extraordinário para salvar o planeta… As vozes eram insanas, agressivas, persuasivas e incessantes. Ele parou de dormir e de se alimentar… Perdeu mais de 10 quilos em poucos dias. A internação foi inevitável, pois o risco de suicídio era iminente.

O diagnóstico: Transtorno Psicótico Agudo, tipo Esquizofreniforme (Esquizofrenia Paranóide F20.0 – Cid 10) – com alteração grave da consciência, pensamento delirante, ideação suicida e alucinações visuais.

– Isso tem cura doutora?

– Não.

– Tem controle?

– Se ele nunca mais usar qualquer tipo de droga, pode ser que ele possa ter uma vida livre dos surtos, mas nunca mais poderá parar de tomar os remédios.  Mas se ele usar maconha mais uma única vez, nós não conseguiremos trazê-lo de volta a lucidez nunca mais.

Ele saiu da clínica livre do surto. Compreendeu a doença e aceitou o tratamento: visitas semanais à terapia e visitas diárias aos Narcóticos Anônimos. 5 meses depois ele decidiu que deveria tirar à prova o que a médica disse e fez aquele que seria o último back de sua vida.

No dia seguinte estava outra vez em surto. Desta vez mais grave. As ideações e tentativas de suicídio eram diárias. Precisou ser internado outra vez. Mas nenhum remédio foi bom o bastante para livrá-lo das malditas vozes. Nenhum tipo de tratamento severo foi autorizado: do tipo lobotomia ou eletroconvulsoterapia por sua família. E era desejo do próprio rapaz manter-se acordado a fim de escrever tudo o que estava lhe acontecendo. E ele escreveu a sua história como aqueles que sabem exatamente o fim que dará a ela.

Ele sabia o que não queria da  vida. Ele não queria viver daquele jeito. Para alguns a esperança não é a última que morre, mas é a última esperança. Ele não queria morrer, ele apenas não queria mais viver. É diferente. E no dia 17 de agosto de 2013, aos 20 anos, o jovem poeta optou pela automorte, se enforcando no quarto da clínica onde estava internado. O nome deste jovem é Arthur Miranda, e a sua mãe sou eu”.  Clara Dawn

Em setembro eu disponibilizo a minha in box no Facebook para conversar sobre o assunto. Você encontra vários artigos sobre drogadição na adolescência e os transtornos mentais no blog que mantenho desde o início da doença do meu filho: Projeto Bola 16

A Associação Brasileira de Psiquiatria adverte: O uso constante de maconha na adolescência pode desencadear esquizofrenia (em indivíduos geneticamente predispostos) e a esquizofrenia pode levar ao suicídio.

Por Clara Dawn, no Portal Raízes

É PRECISO CORAGEM PARA NÃO OPTAR PELA COVARDIA!

Uma luta entre a virtude e a vantagem.

Passa assim despercebido, quase imperceptível pela maioria de nós, mas é fato que temos incontáveis maneiras e oportunidades de optar por gestos covardes, todos os dias, com muita gente. A covardia de quem tira vantagem de uma insegurança, uma incerteza, um descompasso, qualquer brecha a ser aproveitada. E é preciso muita coragem para declinar. E algumas vezes nem tempo dá, de tão viciados que já estamos em praticar covardias, ou, provocá-las, para instigar alguma culpa.

Não somos espontâneos o tempo todo, e de fato maquinamos muitas situações, diálogos, brigas e discussões que ainda nem aconteceram, mas nos agrada a prevenção. E nessa preparação, é inevitável pensar nas fraquezas alheias, no que mais pode tocar e atingir o nosso alvo. Muito tempo se gasta com planos e estratégias. Muita força se usa, muita criatividade e malícia para praticar um ato covarde, que explora a fundo qualquer fraqueza exposta e a balança para o  mundo, como uma bandeira de vitória.

O jogo da vida é complexo e as regras, loucas. Contudo, é essencial buscar um código de ética que nos abrigue e nos oriente por caminhos mais honestos e transparentes. Para o nosso próprio bem. Para não desintegrarmos.

E se a covardia é no mínimo uma decisão obscura, no momento dessa decisão é que a coragem precisa ser evocada.

Coragem para não humilhar alguém em posição inferior, e, ao contrário, colocar-se em seu lugar; coragem para não trair confidências e segredos confiados, mesmo que as vantagens sejam tentadoras; coragem para defender injustiçados, para pedir desculpas e desculpar; coragem para se responsabilizar por decisões, opiniões, julgamentos, manipulações e apelos.

Coragem para pensar com coragem e não com covardia.

Não tramar. Não esconder. Não tirar vantagem. Não trapacear.

É fácil? Não, é uma escolha duríssima! Uma luta pesada!

Contudo, e por todos os exemplos que já passaram pela humanidade, ainda está valendo buscar aquela coragem enferrujada e esquecida, utópica, esperançosa, ética e libertadora.

Sem dúvida alguma, se houver qualquer arrependimento, ele não virá de braços dados com a culpa. E essa liberdade, essa só se apresenta com muita coragem!

segunda-feira, 31 de julho de 2017

A ELITE DO ATRASO: DA ESCRAVIDÃO A LAVA A JATO.



Uma leitura necessária e inteligente do processo de construção do Brasil e sua culminância em mais um golpe contra a nossa insipiente democracia, o povo e os trabalhadores. 

O sociólogo Jessé Souza trás no seu livro - A Elite do Atraso: Da escravidão a Lava Jato, uma leitura sensata da realidade brasileira da escravidão aos dias atuais.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

LUTA DE CLASSES, SÉCULO XXI

Zygmunt Bauman avisou, apoiando-se em Gramsci: a democracia torna-se cada vez mais oca, quando a aristocracia financeira impõe seu poder e resta à sociedade participar de eleições cosméticas

Por Gustavo Henrique Freire Barbosa

“A crise consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo não pode nascer; neste interregno, aparece uma grande variedade de sintomas mórbidos”, escreveu Antonio Gramsci durante o longo período em que ficou encarcerado na prisão de Tudi di Bari, na Itália.

Sobre os dizeres do pensador italiano, escritos entre os anos 1920 e 1930, Zygmunt Bauman sugere que a atual situação do planeta corresponde a um novo interregno. O velho, assim, estaria morrendo, de maneira que se encontraria moribunda a antiga ordem baseada no entrelaçamento entre o território, o Estado e a nação enquanto referências de organismos operacionais soberanos. Neste contexto, a prevalência do capital financeiro e a transnacionalização das relações econômicas, características fundamentais da globalização, vêm sucessivamente transferindo os núcleos de decisão política dos Estados nação para entidades internacionais como o FMI e a Comissão Europeia. Tais entidades, no afã de atingir seus predatórios objetivos de acumulação, adotam como modus operandi a sistemática subjugação de soberanias nacionais e a incontida subversão de ordenamentos jurídicos, conseguindo escapar do princípio clássico de que “aquele que governa tem o poder e faz as leis”.

Eis onde se encontra, conforme refletiu Gramsci, o nascituro impossibilitado de sair do ventre: os organismos políticos herdados de tempos anteriores à globalização vêm se mostrando inadequados e insuficientes para lidar com uma realidade na qual as novas formas de organização política e econômica escapam do controle local por meio de leis e da própria Constituição. Veja-se o recrudescimento das medidas de austeridade aplicadas no Brasil, consagradas com a PEC da previdência e com a mais recente aprovação da PEC 55: para atender aos reclamos do rentismo internacional, comprometeu-se a normatividade de uma série de direitos fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988, restringindo, assim, o aporte de recursos imprescindíveis para as suas concretizações. Munidos da tecnocracia vulgar, ignoraram as alternativas palpáveis ao arrocho fiscal e optaram por seguir à risca a cartilha da espoliação pós-moderna, na qual recursos são drenados para o mercado financeiro ao completo arrepio dos mecanismos de controle e dos objetivos programáticos encartados no texto constitucional.

Assim, toda a estrutura decisória que fundamenta esta nova ordem global passa a gravitar em torno das corporações internacionais, deixando um “déficit democrático” nos parlamentos, governos e instituições voltadas à participação popular direta, de maneira que as expressões de uma democracia eficaz costumam ser vistas com manifesta desaprovação. Basta atentarmos para a histeria com que foi recebido o Decreto nº 8.243/2014, que visa instituir a Política Nacional de Participação Popular na gestão pública, e as paradigmáticas experiências da Argentina, Equador e Eslovênia: enquanto os credores internacionais encararam com preocupação o fato dos países latino-americanos terem, em momentos diversos, demonstrado condições de saldar suas dívidas, preocupando-se com a possibilidade da liberdade econômica e a independência financeira adquiridas serem usadas para rechaçar a aplicação de medidas de austeridade, a suprema corte eslovena impediu a realização de um referendo constitucional convocado contra as imposições do mercado financeiro. Alegou que colocaria em perigo outros valores constitucionais que deveriam ter prioridade em uma situação de crise econômica. Que valores são estes? Os oriundos da racionalidade das autoridades financeiras internacionais que pressionavam o país europeu para que adotasse o austericídio que vêm destruindo nações como o Chipre, a Grécia e a Espanha.

Falar de um livre mercado nestas circunstâncias é uma piada de péssimo gosto, concluiu Chomsky em uma de suas entrevistas ao jornalista David Barsamian compiladas no livro A Minoria Próspera e a Multidão Inquieta. Sua declaração faz total sentido no momento em que é completamente estranha ao mapeamento cognitivo dos think tanks liberais a compreensão de que a verdadeira liberdade está indiscutivelmente ligada à efetiva soberania nacional, livre de pressões e ameaças. A abertura de canais para interferências externas na autodeterminação dos Estados nacionais, cuja desregulamentação é vista com satisfação pelos ideólogos do neoliberalismo, é tida por estes como uma expressão da “liberdade econômica” ainda que se trate de um descarado atentado ao poder e a liberdade das nações decidirem seus rumos conforme os interesses do que Rousseau definiu como “vontade geral”. Não assusta que o economista Friedrich Hayek, referência intelectual da apologética globalitária, tenha afirmado em uma reveladora visita ao Chile de Pinochet que sua “preferência se inclina na direção de uma ditadura liberal, ao invés de um governo democrático que não pratique o liberalismo”.

No artigo “O mundo da ordem”, publicado em setembro de 1984 na Folha de S. Paulo, Marilena Chauí afirmava que a perenidade do pensamento conservador autoritário no Brasil apoia-se não apenas no conjunto das instituições e práticas sociopolíticas, mas também na interiorização de certas imagens. Uma destas imagens é a peculiar visão que se tem da luta de classes, que aparece simplesmente como um confronto armado provocado pelo andar de baixo contra o andar de cima da sociedade.

Esta perspectiva reducionista da insolubilidade de interesses entre classes sociais não consegue observar que o conflito gira, sobretudo, em torno da conservação das formas de dominação através das instituições, leis e costumes. Os embates por maiores fatias do orçamento geral – hoje destinado quase em sua metade ao pagamento de juros e amortização da dívida – e contra a drenagem de recursos públicos em favor do mercado financeiro, por exemplo, correspondem a claras manifestações das lutas de classes, pois englobam postulações inconciliáveis acerca de quem o Estado deve servir. Ademais, se problemas globais requerem soluções globais, está correto o bilionário norte-americano Warren Buffet quando reconhece que “claro que há luta de classes, e é a minha classe, a dos ricos, que está vencendo.”

quinta-feira, 25 de maio de 2017

“NÃO SOU PESSIMISTA, O MUNDO É QUE É PÉSSIMO.”

É difícil não concordar com o escritor português, José Saramago, um dos maiores do seu tempo. O mundo anda capenga, cheio de ódio e dizeres inversos. Queremos o melhor, mas para quem?

Dia desses, revivi a experiência de “Ensaio sobre a Cegueira”, livro no qual Saramago fora agraciado com o Nobel de Literatura. Não pude deixar de ter, novamente, uma espécie de tristeza, de preocupação. Isso porque ainda parecemos caminhar a passos lentos para novas percepções e sentimentos. Sem entrar em assuntos políticos e históricos, mas por que não mudamos? Por que persistimos nessa cegueira social e emocional? A pluralidade do ser humano deveria ser motivo de orgulho e esperança, e não de repulsa e desunião.

O mundo está péssimo para o amor. Falamos muito sobre ele, mas pouco o entendemos. O amor é manipulado quando deveria ser liberto. Perdemos um tempo precioso analisando se é amor de verdade quando alguém vai embora. Classificamos o amor do jeito que melhor nos agrada e isso não configura algo real.

O mundo está péssimo para a empatia. Reclamamos muito dela, mas só a praticamos em momentos cômodos. A empatia é dosada quando deveria ser espontânea. Debatemos durante dias se é gentileza ou interesse por algo ou alguém. Separamos gestos como quem conta trocados para pagar um transporte.

O mundo está péssimo para o sincero. Pedimos muita sinceridade, mas ela é constantemente ignorada. Se não for o que nos cabe, o que nos chama a atenção, mentimos e maltratamos. É completamente diferente de dizer a verdade, porque tornar-se uma pessoa sincera demanda respeito, compaixão. Estamos economizando proximidades, vejam.

Então, como lutar contra esse pessimismo do mundo? Sendo completo. Ou, pelo menos, almejando certa plenitude. O problema é não é um processo imediato. Requer a desconstrução de valores reproduzidos ao longo da vida. É necessária a aceitação de quem você é e daquilo que pode vir a ser. Temos tantas ferramentas disponíveis para uma nova onda de atitudes. São músicas, filmes, livros e outras experiências que podem desencadear o melhor de nós.

Queria figurar na galeria dos pessimistas, mas não consigo. Abro mão de sabotar qualquer possibilidade de desamor e compreensão por um mundo mais otimista, sincero, empático e amoroso. E isso é só para começo de conversa.
Por Guilherme Moreira Jr. No CONTI Outra

COMO DESTRUIR A AUTOESTIMA DE SEUS FILHOS COM ESSAS 3 COISAS!

 Como pais, todos queremos que nossos filhos se desenvolvam plenamente e sejam capazes de enfrentar qualquer situação na vida. Mas, existem ocasiões que, sem nos darmos conta, fazemos exatamente o oposto e nem sempre somente com nossas ações, mas também com as palavras. Conheça quais são as 3 ações mais comuns que prejudicam gravemente a autoestima das crianças:

1. Fazer as coisas por eles

Quando você faz o que a eles lhes corresponde, pode pensar que está os ajudando, mas não é bem assim. Assim, você vai fazer com que eles pensem que não possuem responsabilidades e que ao final você sempre vai acabar resolvendo tudo.

Consequências

Além de torná-los dependentes, você estará negando a oportunidade de aprendizado de habilidades e aptidões que serão úteis no futuro. Somado a isso, eles sentirão que não são capazes de fazer as coisas por si mesmos e esperarão que você irá resolver qualquer problema.

Como solucionar

Permita que seus filhos façam as coisas sozinhos, deste modo eles se sentirão capazes e bem consigo mesmos, ao mesmo tempo que sua autoestima se eleva.

2. Dizer-lhes que algo é “muito fácil”

Se seus filhos estão tendo dificuldade para fazer algo que parece fácil para você, não é prudente dizer isso a eles.

Consequências

Você pode pensar que é uma forma de alertá-los, dizendo “é muito fácil, você consegue”, mas na verdade você vai fazê-los pensar que existe algo de errado com eles por não achar tão fácil assim. Dessa forma, eles se sentirão desanimados e sequer vão continuar tentando.

Como solucionar

Ao invés de repetir o quão fácil é, tente dizer: “mesmo que pareça difícil, se você tentar pode conseguir”. Assim você estará ensinando que com perseverança e esforço, até as coisas complicadas podem ser realizadas. Sem dúvida a autoestima ficará fortalecida e eles ficarão mais motivados.

3. Não deixar que eles cometam erros

Isso é um fato, os erros fazem parte do aprendizado. Repreender seus filhos por cometer erros fará com que eles pensem que não têm a habilidade suficiente para realizar qualquer coisa.

Consequências

Se você superprotege seus filhos e não permite que eles cometam erros, você os fará dependentes e passarão o resto da vida pensando que cometer erros é ruim.

Como solucionar

Ensine seus filhos a aprender com os próprios erros, a serem responsáveis, e você estará realmente ensinando que errar é parte do aprendizado da vida.