segunda-feira, 31 de julho de 2017

A ELITE DO ATRASO: DA ESCRAVIDÃO A LAVA A JATO.



Uma leitura necessária e inteligente do processo de construção do Brasil e sua culminância em mais um golpe contra a nossa insipiente democracia, o povo e os trabalhadores. 

O sociólogo Jessé Souza trás no seu livro - A Elite do Atraso: Da escravidão a Lava Jato, uma leitura sensata da realidade brasileira da escravidão aos dias atuais.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

LUTA DE CLASSES, SÉCULO XXI

Zygmunt Bauman avisou, apoiando-se em Gramsci: a democracia torna-se cada vez mais oca, quando a aristocracia financeira impõe seu poder e resta à sociedade participar de eleições cosméticas

Por Gustavo Henrique Freire Barbosa

“A crise consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo não pode nascer; neste interregno, aparece uma grande variedade de sintomas mórbidos”, escreveu Antonio Gramsci durante o longo período em que ficou encarcerado na prisão de Tudi di Bari, na Itália.

Sobre os dizeres do pensador italiano, escritos entre os anos 1920 e 1930, Zygmunt Bauman sugere que a atual situação do planeta corresponde a um novo interregno. O velho, assim, estaria morrendo, de maneira que se encontraria moribunda a antiga ordem baseada no entrelaçamento entre o território, o Estado e a nação enquanto referências de organismos operacionais soberanos. Neste contexto, a prevalência do capital financeiro e a transnacionalização das relações econômicas, características fundamentais da globalização, vêm sucessivamente transferindo os núcleos de decisão política dos Estados nação para entidades internacionais como o FMI e a Comissão Europeia. Tais entidades, no afã de atingir seus predatórios objetivos de acumulação, adotam como modus operandi a sistemática subjugação de soberanias nacionais e a incontida subversão de ordenamentos jurídicos, conseguindo escapar do princípio clássico de que “aquele que governa tem o poder e faz as leis”.

Eis onde se encontra, conforme refletiu Gramsci, o nascituro impossibilitado de sair do ventre: os organismos políticos herdados de tempos anteriores à globalização vêm se mostrando inadequados e insuficientes para lidar com uma realidade na qual as novas formas de organização política e econômica escapam do controle local por meio de leis e da própria Constituição. Veja-se o recrudescimento das medidas de austeridade aplicadas no Brasil, consagradas com a PEC da previdência e com a mais recente aprovação da PEC 55: para atender aos reclamos do rentismo internacional, comprometeu-se a normatividade de uma série de direitos fundamentais previstos na Constituição Federal de 1988, restringindo, assim, o aporte de recursos imprescindíveis para as suas concretizações. Munidos da tecnocracia vulgar, ignoraram as alternativas palpáveis ao arrocho fiscal e optaram por seguir à risca a cartilha da espoliação pós-moderna, na qual recursos são drenados para o mercado financeiro ao completo arrepio dos mecanismos de controle e dos objetivos programáticos encartados no texto constitucional.

Assim, toda a estrutura decisória que fundamenta esta nova ordem global passa a gravitar em torno das corporações internacionais, deixando um “déficit democrático” nos parlamentos, governos e instituições voltadas à participação popular direta, de maneira que as expressões de uma democracia eficaz costumam ser vistas com manifesta desaprovação. Basta atentarmos para a histeria com que foi recebido o Decreto nº 8.243/2014, que visa instituir a Política Nacional de Participação Popular na gestão pública, e as paradigmáticas experiências da Argentina, Equador e Eslovênia: enquanto os credores internacionais encararam com preocupação o fato dos países latino-americanos terem, em momentos diversos, demonstrado condições de saldar suas dívidas, preocupando-se com a possibilidade da liberdade econômica e a independência financeira adquiridas serem usadas para rechaçar a aplicação de medidas de austeridade, a suprema corte eslovena impediu a realização de um referendo constitucional convocado contra as imposições do mercado financeiro. Alegou que colocaria em perigo outros valores constitucionais que deveriam ter prioridade em uma situação de crise econômica. Que valores são estes? Os oriundos da racionalidade das autoridades financeiras internacionais que pressionavam o país europeu para que adotasse o austericídio que vêm destruindo nações como o Chipre, a Grécia e a Espanha.

Falar de um livre mercado nestas circunstâncias é uma piada de péssimo gosto, concluiu Chomsky em uma de suas entrevistas ao jornalista David Barsamian compiladas no livro A Minoria Próspera e a Multidão Inquieta. Sua declaração faz total sentido no momento em que é completamente estranha ao mapeamento cognitivo dos think tanks liberais a compreensão de que a verdadeira liberdade está indiscutivelmente ligada à efetiva soberania nacional, livre de pressões e ameaças. A abertura de canais para interferências externas na autodeterminação dos Estados nacionais, cuja desregulamentação é vista com satisfação pelos ideólogos do neoliberalismo, é tida por estes como uma expressão da “liberdade econômica” ainda que se trate de um descarado atentado ao poder e a liberdade das nações decidirem seus rumos conforme os interesses do que Rousseau definiu como “vontade geral”. Não assusta que o economista Friedrich Hayek, referência intelectual da apologética globalitária, tenha afirmado em uma reveladora visita ao Chile de Pinochet que sua “preferência se inclina na direção de uma ditadura liberal, ao invés de um governo democrático que não pratique o liberalismo”.

No artigo “O mundo da ordem”, publicado em setembro de 1984 na Folha de S. Paulo, Marilena Chauí afirmava que a perenidade do pensamento conservador autoritário no Brasil apoia-se não apenas no conjunto das instituições e práticas sociopolíticas, mas também na interiorização de certas imagens. Uma destas imagens é a peculiar visão que se tem da luta de classes, que aparece simplesmente como um confronto armado provocado pelo andar de baixo contra o andar de cima da sociedade.

Esta perspectiva reducionista da insolubilidade de interesses entre classes sociais não consegue observar que o conflito gira, sobretudo, em torno da conservação das formas de dominação através das instituições, leis e costumes. Os embates por maiores fatias do orçamento geral – hoje destinado quase em sua metade ao pagamento de juros e amortização da dívida – e contra a drenagem de recursos públicos em favor do mercado financeiro, por exemplo, correspondem a claras manifestações das lutas de classes, pois englobam postulações inconciliáveis acerca de quem o Estado deve servir. Ademais, se problemas globais requerem soluções globais, está correto o bilionário norte-americano Warren Buffet quando reconhece que “claro que há luta de classes, e é a minha classe, a dos ricos, que está vencendo.”

quinta-feira, 25 de maio de 2017

“NÃO SOU PESSIMISTA, O MUNDO É QUE É PÉSSIMO.”

É difícil não concordar com o escritor português, José Saramago, um dos maiores do seu tempo. O mundo anda capenga, cheio de ódio e dizeres inversos. Queremos o melhor, mas para quem?

Dia desses, revivi a experiência de “Ensaio sobre a Cegueira”, livro no qual Saramago fora agraciado com o Nobel de Literatura. Não pude deixar de ter, novamente, uma espécie de tristeza, de preocupação. Isso porque ainda parecemos caminhar a passos lentos para novas percepções e sentimentos. Sem entrar em assuntos políticos e históricos, mas por que não mudamos? Por que persistimos nessa cegueira social e emocional? A pluralidade do ser humano deveria ser motivo de orgulho e esperança, e não de repulsa e desunião.

O mundo está péssimo para o amor. Falamos muito sobre ele, mas pouco o entendemos. O amor é manipulado quando deveria ser liberto. Perdemos um tempo precioso analisando se é amor de verdade quando alguém vai embora. Classificamos o amor do jeito que melhor nos agrada e isso não configura algo real.

O mundo está péssimo para a empatia. Reclamamos muito dela, mas só a praticamos em momentos cômodos. A empatia é dosada quando deveria ser espontânea. Debatemos durante dias se é gentileza ou interesse por algo ou alguém. Separamos gestos como quem conta trocados para pagar um transporte.

O mundo está péssimo para o sincero. Pedimos muita sinceridade, mas ela é constantemente ignorada. Se não for o que nos cabe, o que nos chama a atenção, mentimos e maltratamos. É completamente diferente de dizer a verdade, porque tornar-se uma pessoa sincera demanda respeito, compaixão. Estamos economizando proximidades, vejam.

Então, como lutar contra esse pessimismo do mundo? Sendo completo. Ou, pelo menos, almejando certa plenitude. O problema é não é um processo imediato. Requer a desconstrução de valores reproduzidos ao longo da vida. É necessária a aceitação de quem você é e daquilo que pode vir a ser. Temos tantas ferramentas disponíveis para uma nova onda de atitudes. São músicas, filmes, livros e outras experiências que podem desencadear o melhor de nós.

Queria figurar na galeria dos pessimistas, mas não consigo. Abro mão de sabotar qualquer possibilidade de desamor e compreensão por um mundo mais otimista, sincero, empático e amoroso. E isso é só para começo de conversa.
Por Guilherme Moreira Jr. No CONTI Outra

COMO DESTRUIR A AUTOESTIMA DE SEUS FILHOS COM ESSAS 3 COISAS!

 Como pais, todos queremos que nossos filhos se desenvolvam plenamente e sejam capazes de enfrentar qualquer situação na vida. Mas, existem ocasiões que, sem nos darmos conta, fazemos exatamente o oposto e nem sempre somente com nossas ações, mas também com as palavras. Conheça quais são as 3 ações mais comuns que prejudicam gravemente a autoestima das crianças:

1. Fazer as coisas por eles

Quando você faz o que a eles lhes corresponde, pode pensar que está os ajudando, mas não é bem assim. Assim, você vai fazer com que eles pensem que não possuem responsabilidades e que ao final você sempre vai acabar resolvendo tudo.

Consequências

Além de torná-los dependentes, você estará negando a oportunidade de aprendizado de habilidades e aptidões que serão úteis no futuro. Somado a isso, eles sentirão que não são capazes de fazer as coisas por si mesmos e esperarão que você irá resolver qualquer problema.

Como solucionar

Permita que seus filhos façam as coisas sozinhos, deste modo eles se sentirão capazes e bem consigo mesmos, ao mesmo tempo que sua autoestima se eleva.

2. Dizer-lhes que algo é “muito fácil”

Se seus filhos estão tendo dificuldade para fazer algo que parece fácil para você, não é prudente dizer isso a eles.

Consequências

Você pode pensar que é uma forma de alertá-los, dizendo “é muito fácil, você consegue”, mas na verdade você vai fazê-los pensar que existe algo de errado com eles por não achar tão fácil assim. Dessa forma, eles se sentirão desanimados e sequer vão continuar tentando.

Como solucionar

Ao invés de repetir o quão fácil é, tente dizer: “mesmo que pareça difícil, se você tentar pode conseguir”. Assim você estará ensinando que com perseverança e esforço, até as coisas complicadas podem ser realizadas. Sem dúvida a autoestima ficará fortalecida e eles ficarão mais motivados.

3. Não deixar que eles cometam erros

Isso é um fato, os erros fazem parte do aprendizado. Repreender seus filhos por cometer erros fará com que eles pensem que não têm a habilidade suficiente para realizar qualquer coisa.

Consequências

Se você superprotege seus filhos e não permite que eles cometam erros, você os fará dependentes e passarão o resto da vida pensando que cometer erros é ruim.

Como solucionar

Ensine seus filhos a aprender com os próprios erros, a serem responsáveis, e você estará realmente ensinando que errar é parte do aprendizado da vida.

ASSISTA: VIDA MARIA, UM CURTA METRAGEM



Um curta-metragem que todos devem assistir

 “Vida Maria” é um curta-metragem em 3D, produzido pelo animador gráfico Márcio Ramos. O filme nos mostra a história da rotina da personagem “Maria José”, uma menina de cinco anos de idade que se diverte aprendendo a escrever o nome, mas que é obrigada pela mãe a abandonar os estudos e começar a cuidar dos afazeres domésticos e trabalhar na roça. Enquanto trabalha ela cresce, casa e tem filhos e depois envelhece e o ciclo continua a se reproduzir nas outras Marias suas filhas, netas e bisnetas.

São apresentadas no filme imagens que mostram uma semelhança muito grande com a realidade, traços bem parecidos com o real onde vemos crianças que tem sua infância interrompida, muitas vezes para ajudar a família a sobreviver, infância essa resumida a poucos recursos e a más condições de vida.

A Maria do filme mostra satisfação em apenas escrever seu primeiro nome, o momento em que sua mãe lhe chama a atenção dizendo: “Não perca tempo “desenhando” seu nome!”, é tirado o seu futuro de ser uma pessoa diferente de sua mãe, que não tem uma visão do futuro, querendo dar à filha a mesma criação que teve num processo de reprodução sem mudanças de suas perspectivas por comodismo.

O filme retratou como o indivíduo em formação internaliza os eventos e as experiências vividas na infância e como são determinantes para formação daquela pessoa na vida adulta. No filme a menina Maria foi arrancada do seu mundo lúdico, quando sua mãe a repreende por estar escrevendo, ela corta da vida da filha os sonhos, os objetivos de uma vida melhor.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

A VIDA É UM ETERNO QUARTO DE BAGUNÇAS. SEMPRE HAVERÁ ALGO QUE A GENTE GUARDA, QUANDO JÁ DEVERIA TER JOGADO FORA!

Quanto mais espaços vazios houver, mais coisas inúteis a gente vai juntar! Isso vale tanto para casas, quanto para quartos, mentes e corações.

Basta parar um instante e trazer à lembrança exemplos de casas que têm “aquele quartinho que não é de ninguém”. Espere alguns dias, e poderá observar que o lugar começará rapidamente a ganhar ares de acumulação.

Vem um e larga lá aquele casaco de neve, que ninguém vai usar tão cedo, porque aqui não neva. E, para falar a verdade, viajar para lugares nevados anda meio fora das possibilidades orçamentárias. Vem outro e deposita num cantinho, um violão ou um teclado que comprou por impulso, acreditando que arranjaria tempo para aprender a tocar um instrumento. Vem mais um outro e abandona em outro lugarzinho aquela coleção de revistas, ou figurinhas, ou canecas, ou sabe-se lá que outro tipo de cacarecos que, em algum momento da vida fazia todo sentido. Mas agora não faz mais.

Mais algumas semanas e o lugar terá se transformado num depósito de coisas aleatórias e esquecidas. Mais alguns meses e a imagem será a de um caos, digno daqueles programas de TV a cabo, que mostram o triste destino de pessoas que não conseguem se desapegar de nenhum objeto que comprou, ganhou ou adquiriu sei lá de que jeito.

Pois com a vida em si, não é nada diferente. Mentes vazias são lugares absolutamente tentadores para ideias inúteis. Elas vão chegando de mansinho, ficam ali bem quietinhas num cantinho; com o tempo, penduram uma rede nas paredes da memória e vão se acomodando.

E, de repente, aproveitando-se de nossa distração, fazem morada dentro da gente, com direito a capacho na porta e tranca pelo lado de dentro. Instalam-se. Tomam conta. Vão ocupando nossa cabecinha oca com pensamentos paralisantes e parasitas, que se alimentam vigorosamente de nossa criatividade, perseverança, esperança e amor próprio. E, depois dessa apropriação indébita meu amigo, haja força de vontade e coragem para mover uma eficiente e definitiva ação de despejo.

E se mentes vazias são um perigo… Corações vazios são muito mais! Corações vazios são uma espécie de Resort com sistema “all Inclusive” para sentimentos corrosivos como a mágoa, a inveja, o ciúme e a ambição sem medida. Para cada uma dessas pragas emocionais são estendidos tapetes vermelhos, oferecidos drinks exóticos de boas-vindas e preparadas camas irresistíveis onde cada uma delas deita, rola e fica.

A vida é um eterno quarto de bagunças. Sempre haverá algo que a gente guarda, quando já deveria ter jogado fora. E é por isso que, vez em quando, não custa nada fazer uma visitinha àqueles cômodos mal iluminados e sombrios. Abrir janelas e cortinas. Deixar que o cheiro de coisa guardada seja levado com o vento. E permitir que novos ares sejam bem-vindos. Porque tudo aquilo que deixarmos ficar, nos definirá diante de nós mesmos e dos outros. E uma vida pendurada de sentimentos gastos e cobertos de poeira velha é uma vida pequena demais.
Texto de Ana Macarini é Psicopedagoga e Mestre em Disfunções de Leitura e Escrita. 

DOIS VALORES PARA A MESMA MERCADORIA?

O que você deve fazer quando o produto é registrado no caixa com um preço diferente do da prateleira

Você já pegou um produto na prateleira do supermercado e, ao chegar ao caixa, descobriu que o valor dele era maior? Situações assim são comuns, mas nem sempre o consumidor questiona quais são seus direitos nos estabelecimentos onde isso ocorre.

De acordo com o Código de Defesa do Consumidor (CDC), em casos de divergência de preço em relação ao mesmo produto exposto, o consumidor deve pagar pelo menor valor informado. O que significa dizer, por exemplo, que se o consumidor encontrar um produto por R$ 20 na gôndola e no caixa aparecer R$ 18, ele tem direito de pagar o valor mais baixo.

A legislação considera a diferença de preço uma atitude abusiva. E assegura, portanto, que as empresas, supermercados e outros estabelecimentos têm a obrigação de serem claros e corretos quanto às informações descritas.

Dessa forma, a melhor opção em casos de divergência de preços é usar a lei a seu favor e exigir os seus direitos.

Como agir?

É importante ficar sempre atento na hora de realizar as compras. No momento de questionar, tenha em mãos os preços anotados ou leve a publicidade que informa outro valor, para que seja possível contestar e comprovar o erro.

Ainda assim, se o estabelecimento não concordar com a lei, você pode desistir do produto ou exigir o estorno do valor na próxima compra. Se a empresa resistir e não aceitar nenhum acordo, recomenda-se que os órgãos de proteção e defesa do consumidor sejam acionados.

Por Lorrainne Silva / edição 1311 Folha Universal

OS REAIS PERIGOS DO TRÂNSITO

Só no Brasil cerca de 45 mil pessoas morrem por ano em acidentes com veículos terrestres. Entenda por que isso acontece

Você já deve ter visto pelas ruas e na mídia a existência de um movimento chamado Maio Amarelo. É uma ação promovida pelo Poder Público e pela sociedade civil para diminuir os índices de acidentes no trânsito no Brasil e em outros países. A diferença é que, desta vez, os organizadores tentam não ficar só na teoria com mais uma campanha inócua, mas discutir a fundo o assunto para conscientização real de um mal de proporções mundiais. Além disso, seu objetivo é pedir atitudes práticas não só das autoridades, mas de todos os cidadãos, estejam eles na direção de um veículo ou a pé.

Já que falamos em atitude, qual é a sua em relação ao trânsito nosso de cada dia? Infelizmente, muitos se indignam ao ver manchetes de acidentes, vídeos de flagrantes de pessoas sem noção ao volante, ao guidão ou mesmo atravessando a rua fora das faixas de pedestres ou passarelas – e todos desobedecendo à sinalização. Não é raro quem nem mesmo pense no assunto e até se ache certo, mas que também faz besteira, ainda que sem intenção.

Índices do perigo

Segundo instituições conceituadas como a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde brasileiro, o Brasil atinge níveis vergonhosos quando a questão é segurança no trânsito. Em nosso país morrem todo ano, em média, 45 mil pessoas em acidentes com veículos terrestres. No mundo, 1,2 milhão de pessoas perdem a vida pelo mesmo motivo.

O Brasil também está em quinto lugar no ranking dos países com mais vítimas de acidentes de trânsito – perde apenas para Índia, China, Estados Unidos e Rússia – quase sempre devido à imprudência, ao excesso de velocidade e ao pouco ou nenhum respeito às leis. A intolerância e a impunidade também contribuem para aumentar esse tipo de violência.

Os feridos no tráfego diário são mais de 376 mil no território nacional. E cerca de 55% dos leitos de hospitais são ocupados por acidentados no trânsito. A OMS estima que mundialmente 60% deles causem danos permanentes à saúde.

Os índices de acidentes não têm relação com a quantidade de veículos. A OMS aponta que os países em desenvolvimento concentram 90% das vítimas fatais no trânsito mundial, apesar de apenas 54% dos automóveis estarem em seus territórios. Já em nações com regras mais rígidas – e mais obedecidas – , como Reino Unido, Holanda e Suécia, os mortos são menos de 4 para cada 100 mil habitantes anualmente. É mais uma questão ligada às pessoas e às suas atitudes do que ao equipamento.

Causas insuspeitas

Imprudência, imperícia e negligência continuam a ser as maiores causas de acidentes no tráfego. A frouxidão das autoridades em alguns locais gera a certeza da impunidade, o que torna tudo mais perigoso pelo óbvio egoísmo de quem acha que seu direito é maior que o dos outros, mesmo que terceiros fiquem em perigo por isso.

Contudo, as causas das tragédias talvez não sejam tão óbvias e podem dizer respeito a coisas que acontecem no seu dia a dia, leitor. Quer saber como? De acordo com a empresa de pesquisas norte-americana ORC International, 76% das pessoas confessaram maus hábitos ao volante que, embora pareçam inofensivos, já resultaram em acidentes fatais. Entre eles estão apartar brigas de filhos (26%), apagar ou acender cigarro (22%), usar notebook (21% faz isso, embora pareça absurdo), conversar com alguém (18%) ou falar ao celular (13%).

Publicado em edição 1311 Folha Universal

A BAIXA AUTOESTIMA É A ORIGEM DE TODOS OS NOSSOS DISTÚRBIOS

A autoestima é a parte do nosso autoconceito que torna a nossa couraça emocional mais ou menos resistente. Amar a nós mesmos de forma incondicional é, sem dúvida, a pedra fundamental do bem-estar psicológico, porque embora o conceito de amor próprio possa parecer simples, é realmente mais importante do que se imagina.

É impossível ser feliz se você não amar a si mesmo. Não importa o que aconteça, o que as pessoas digam, os nossos fracassos, amar e se aceitar é o alicerce para construir uma vida cheia de satisfação, prazer e realizações. A aprovação incondicional de si mesmo é uma tarefa tão difícil que, apesar da redundância, é muito difícil encontrar pessoas que realmente se amem de verdade.

Nós não sabemos exatamente por que o ser humano, geralmente, ama tão pouco a si mesmo. Parece que tem a ver com o ego e com o desejo de se destacar do restante dos mortais. Quando queremos ser especiais ou melhores do que os outros, acabamos amargurados, pois descobrimos que também temos deficiências e limitações e, que não somos tão únicos como pretendíamos ser.

Isso faz com que o pensamento polarizado, que diz que tudo é branco ou preto, aflore em nossa mente e acabe criando em nós um diálogo interno como: “Se eu não me destaco dos demais, então não valho nada”. Portanto, a chave para ter uma autoestima saudável é não se valorizar exageradamente, e se sentir tão importante como todos os outros seres humanos.

Por Portal Raízes

A FALTA DE AUTOESTIMA E A SUA RELAÇÃO COM ALGUNS DISTÚRBIOS

Se olharmos para alguns distúrbios psicológicos clássicos, perceberemos imediatamente que a sua origem é muito influenciada pela falta de amor por si mesmo. Esta falta de autoestima se projetará posteriormente em crenças disfuncionais, emoções negativas e comportamentos contraproducentes que mergulham a pessoa em um círculo fechado.

Para entender melhor, veremos alguns exemplos:

Transtorno de ansiedade

As pessoas ansiosas têm muito medo do futuro. Os pensamentos são sempre catastróficos, porque acreditam que podem falhar na execução de algumas tarefas ou que algo terrível pode acontecer. É claro que por trás desse medo existe uma imensa insegurança. Elas não confiam nas suas próprias capacidades, e não acreditam que são capazes de enfrentar as adversidades sozinhas. Para quase tudo, precisam de alguém para ajudá-los: para resolverem os problemas ou para os acompanharem e, assim, reduzir o seu medo. Eles dizem a si mesmos: “Você não é bom, você sozinho não pode e não sabe, portanto, você precisa de alguém melhor do que você”.

Transtorno obsessivo compulsivo (TOC)

É uma das saídas “naturais” do perfeccionismo levado ao extremo. Quando alguém é perfeccionista, acredita que deve fazer tudo sem erros. Isso nada mais é do que o resultado, como já dissemos antes, de querer ser reconhecido. É difícil decidir como agir porque é essencial que esta decisão o leve para o caminho certo; finalmente desmorona quando percebe que a perfeição desejada é inatingível.

Anorexia e Bulimia

Neste caso, a falta de autoestima é especialmente evidente. Essas pessoas acreditam que teriam muito mais valor se a sua aparência física estivesse de acordo com o ideal irrealista estabelecido pela sociedade atual. Portanto, o seu valor pessoal é colocado em um aspecto que não as agrada.

Elas não conseguem se amar enquanto o seu aspecto físico não for adequado para elas. A obsessão é tão grande, que semelhante ao que acontece no TOC, buscam uma perfeição física inventada e impossível que acaba deteriorando a sua imagem corporal de forma surpreendente: conseguem o oposto do que pretendiam.

A dependência emocional

Quando eu acredito que os outros são melhores do que eu ou que não sou digno de estima, é muito provável que me torne emocionalmente dependente e aceite determinados comportamentos da outra pessoa que normalmente não toleraria. O pensamento do dependente diz o seguinte: “Como eu não valho nada e não mereço amor, me contento com as suas migalhas e estou à mercê do que você quiser fazer comigo.”

Depressão

Neste caso, a falta de amor também é bastante visível. As pessoas deprimidas veem a si próprias como “muito pequenas”, sem qualquer valor e, portanto, essa barreira retarda a implementação dos seus objetivos. Elas acreditam que não terão sucesso em nenhum empreendimento, e até mesmo chegam a um ponto onde não conseguem perceber o sentido das coisas. “Para quê?”.

Elas se sentem culpadas, miseráveis, vítimas, convencem a si mesmas de que são inúteis e de que, portanto, ninguém as valorizará.

Poderíamos citar muitos outros distúrbios: os relacionados com o controle dos impulsos como um meio de preencher os vazios internos, os de personalidade, etc. Podemos perceber facilmente que o denominador comum em todos eles é a falta de amor, e se os profissionais não trabalharem de forma eficiente a aceitação pessoal, a cura torna-se praticamente impossível, pois trabalharíamos apenas em um nível superficial.

Ter como objetivo principal a autoaceitação nos torna livres: os fracassos se tornam menos importantes, assim como a crítica ou a rejeição dos outros. Deixaremos de procurar a perfeição e nos permitiremos agir de acordo com os nossos critérios pessoais, independentemente de tudo o que nos cerca.

Por Portal Raízes - Texto publicado originalmente em A Mente é Maravilhosa

O QUE É INTOLERÂNCIA À LACTOSE

A dificuldade de digestão do leite e seus derivados provoca dores, gases e até diarreia. Conheça alternativas para o problema

Um copo de leite é suficiente para provocar mal-estar em quem tem intolerância à lactose. Entre os sintomas estão dores abdominais, gases, inchaço, náuseas, diarreias e vômitos. Estima-se que cerca de metade da população brasileira possa vir a desenvolver o problema, segundo o site da Federação Brasileira de Gastroenterologia.

A intolerância à lactose é a incapacidade parcial ou completa de digerir o açúcar existente no leite e seus derivados. O distúrbio ocorre quando o corpo não produz, ou produz em quantidade insuficiente, uma enzima digestiva chamada lactase. Algumas pessoas nascem sem a enzima, enquanto outras deixam de produzi-la ao longo da vida.

Diagnóstico

A intolerância à lactose pode ser diagnosticada por um exame respiratório que mede a quantidade de hidrogênio expirado após a ingestão de lactose. Outro teste é um exame de sangue que indica os níveis de glicose após a ingestão de lactose. Se não houver alteração, a pessoa é intolerante à lactose. Pessoas que sentem desconforto intestinal após a ingestão de leite e derivados devem procurar especialistas para o correto diagnóstico e orientações dietéticas.

Dieta

O nutrólogo J. Bussade, especialista na prática ortomolecular, diz que uma das principais medidas é retirar o leite da alimentação. Ele recomenda o uso de leites vegetais, feitos a partir de castanhas, amêndoas ou inhame. E ainda indica a ingestão de vitamina D e de farinha de vitamina D3.

A retirada de produtos lácteos da dieta por um tempo prolongado pode levar a deficiências nutricionais de cálcio, fósforo e vitaminas, alerta a Federação Brasileira de Gastroenterologia. Para evitar que isso aconteça, uma opção é consumir alimentos fermentados à base de leite, como iogurtes desnatados ou integrais.

Além disso, alguns produtos têm quantidades menores de lactose, como o queijo minas, mussarela e prato. Existem ainda alimentos com baixa lactose ou zero lactose, como leites, iogurtes e queijos.

Quantidade de cálcio

Para adultos entre 19 e 50 anos, a recomendação de ingestão diária de cálcio é de 1.000 mg. Pessoas acima dos 50 anos devem consumir 1.200 mg de cálcio por dia. Crianças e adolescentes entre 9 e 18 anos precisam de 1.300 mg de cálcio diariamente. Um copo de leite tem cerca de 300 mg de cálcio, mas existem outras fontes importantes, como espinafre, tofu, gergelim, amêndoas, repolho, ovo, laranja, brócolis e cenoura.

.Por Rê Campbell / edição 1311 Folha Universal

quarta-feira, 17 de maio de 2017

MARX, A INDÚSTRIA MODERNA E A CLASSE OPERÁRIA

Na cerimônia do quarto aniversário do jornal operário inglês The People's Paper, Karl Marx pronunciou este discurso que mantém uma atualidade surpreendente.

Por José Carlos Ruy

O jornal era ligado aos “Cartistas” ingleses e Marx e Engels colaboravam assiduamente com ele. Neste discurso Marx, além de reafirmar o papel histórico da classe operária como coveiro do capitalismo, identifica a profunda contradição deste sistema injusto que, por um lado, produz riquezas numa escala nunca vista e também, no outro lado, miséria, ignorância e alienação em escala gigantesca e crescente. As referências que faz à união entre industria e ciência, de um lado, e pobreza, desemprego e miséria de outro, são notáveis – foram feitas há mais de 160 anos e mantém sua atualidade em nosso tempo.

Discurso no Aniversário de"The People's Paper" - Londres, 14 de Abril de 1856

As chamadas revoluções de 1848 não foram mais do que pobres incidentes - pequenas fraturas e fissuras na dura crosta da sociedade européia. No entanto, elas denunciavam o abismo. Por detrás da superfície aparentemente sólida, elas revelavam oceanos de matéria líquida que apenas precisavam de expansão para fazer em bocados continentes de rocha firme. Barulhenta e confusamente, proclamaram a emancipação do proletário, isto é, o segredo do século XIX e da revolução deste século.

Esta revolução social - é certo - não foi uma novidade inventada em 1848. O vapor, a eletricidade e a máquina de fiação foram revolucionários de um tipo muito mais perigoso do que mesmo os cidadãos Barbès, Raspail e Blanqui. Mas, embora a atmosfera em que vivemos pese sobre cada um de nós com uma força de 20 000 libras, vocês a sentem? Não a mais do que a sociedade européia antes de 1848 sentia a atmosfera revolucionária que a envolvia e pressionava de todos os lados.

Há um grande fato, característico deste nosso século XIX, um fato que nenhum partido ousa negar. Por um lado, despontaram para a vida forças industriais e científicas, de que nenhuma época da história humana anterior alguma vez tinha suspeitado.

Por outro lado, existem sintomas de decadência que ultrapassam de longe os horrores registrados nos últimos tempos do Império Romano.

Nos nossos dias, tudo parece prenhe do seu contrário. Observamos que maquinaria dotada do maravilhoso poder de encurtar e de fazer frutificar o trabalho humano o leva à fome e a um excesso de trabalho. As novas fontes de riqueza transformam-se, por estranho e misterioso encantamento, em fontes de carência. Os triunfos da arte parecem ser comprados à custa da perda do caráter. Ao mesmo ritmo que a humanidade domina a natureza, o homem parece tornar-se escravo de outros homens ou da sua própria infâmia. Mesmo a luz pura da ciência parece incapaz de brilhar a não ser sobre o fundo escuro da ignorância. Todo o nosso engenho e progresso parecem resultar na dotação das forças materiais com vida intelectual e na redução embrutecedora da vida humana a uma força material.

Este antagonismo entre a indústria e a ciência modernas, por um lado, e a miséria e a dissolução modernas, por outro; este antagonismo entre os poderes produtivos [productive powers] e as relações sociais da nossa época é um fato palpável, esmagador, e que não é para ser controvertido. Alguns partidos podem lamentar-se disso; outros podem desejar ver-se livres das artes modernas, a fim de se verem livres dos conflitos modernos. Ou podem imaginar que tão assinalável progresso na indústria requer que seja completado por uma igualmente assinalável regressão na política.

Pela nossa parte, não nos engana a forma do espírito astucioso que continua a marcar todas estas contradições. Sabemos que, para trabalharem bem, as novas forças da sociedade apenas precisam ser dominadas por novos homens – que são os operários. Eles são tanto uma invenção dos tempos modernos como a própria maquinaria. Nos sinais que desorientam a classe média, a aristocracia e os pobres profetas da regressão, reconhecemos o nosso bom amigo, Robin Goodfellow(1), a velha toupeira que sabe trabalhar a terra tão rapidamente, esse digno sapador - a Revolução.

Os operários ingleses são os primeiros filhos da indústria moderna. Certamente que não serão, então, os últimos a ajudar a revolução social produzida por essa indústria, uma revolução que significa a emancipação da sua própria classe em todo o mundo, que é tão universal como a dominação do capital e a escravidão assalariada. Eu conheço as lutas heróicas por que a classe operária inglesa passou desde os meados do século XVIII - lutas menos celebradas, porque são amortalhadas em obscuridade e abafadas pelo historiador da classe média. Para vingar as malfeitorias da classe dominante havia na Idade Média, na Alemanha, um tribunal secreto, chamado"Vehmgericht". Se se visse uma cruz encarnada a marcar uma casa, as pessoas sabiam que seu proprietário estava condenado pelo"Vehm". Todas as casas da Europa estão hoje marcadas com a misteriosa cruz encarnada. A História é o juiz - o seu executor é o proletário.

Nota
(1) Robin Goodfellow: ser lendário que, segundo a crença popular inglesa, protegia e ajudava os homens. Ele é visto, por exemplo, em ação como Puck na peça de Shakespeare Sonho de Uma Noite de Verão.

A CONFISSÃO DE ARMÍNIO FRAGA

Quando o golpe de Estado que tirou a presidenta Dilma Rousseff do poder estava sendo gestado a maior promessa dos golpistas era a de que o Brasil voltaria a crescer. Alguns incautos caíram na conversa e acreditaram que o mesmo grupo que havia levado o Brasil à lona tantas vezes cumpriria essa promessa.

Passado um ano a situação econômica do Brasil é desoladora. O desemprego bate recordes, cada vez mais famílias habitam as ruas das grandes cidades, a desesperança só cresce. A tentativa patética da grande mídia de achar alguma réstia de recuperação econômica só demostra que o golpe nos levou ao fundo do poço.

É nesse cenário que Armínio Fraga, ex-ministro de Fernando Henrique Cardoso, declara que o problema da economia nacional é a ameaça de que Lula volte a ser presidente da República. Assim, subentende-se, tirar o ex-presidente do caminho é a linha para que o país volte a crescer.

Há na declaração de Fraga dois elementos inseparáveis: o primeiro é uma empulhação, típica do discurso econômico neoliberal, o segundo é uma confissão que só faz com essa desfaçatez quem tem ao seu lado uma mídia amestrada como blindagem.

A empulhação é a ideia de que a haverá crescimento com a política de austeridade e cortes levadas a cabo por este governo. Sem investimento público, sem indução da atividade econômica por parte do Estado, não há possibilidade de retomada do desenvolvimento econômico, como a história não cansa de demonstrar. Uma leitura superficial dos periódicos que tratam de economia com alguma decência é suficiente para verificar que mesmo organismos como o Fundo Monetário Internacional têm sustentado que as políticas de austeridade foram longe demais. No Brasil a turma de Armínio acha é pouco e, mantida no poder, levará o país à liquidação completa.

Outro fato já demonstrado, mas que não interessa a quem está a serviço dos interesses da grande finança, é que sem a retomada do desenvolvimento as contas públicas não serão estabilizadas. Como tem demonstrado a economista Laura Carvalho, o problema fiscal no Brasil não está relacionado aos gastos, mas às receitas. Ou seja, a questão é que a ausência de crescimento econômico derrubou a arrecadação e os cortes realizados pelo governo golpista só agravam a situação, porque deprimem ainda mais a economia.

Esse quadro, já dramático, só se agravará com o corte de direitos em curso, tanto no que respeita à reforma trabalhista, quanto à previdenciária. A diminuição da renda dos trabalhadores provocará mais depressão econômica e, portanto, mais desemprego e miséria.

Entretanto, o que mais chama atenção na declaração de Fraga não é a empulhação da escola econômica de que ele faz parte, com a qual todos já estão acostumados, mas a confissão que sua declaração traz. Ao afirmar que a possibilidade de Lula vencer as eleições assusta o mercado e impede o crescimento, ele revela a incompatibilidade crescente entre a democracia e o capitalismo neoliberal. Se a soberania popular, expressa, neste momento, no amplo apoio ao nome de Lula é contrária à vontade do deus mercado, às favas com ela.

Este processo de incompatibilidade crescente é mundial, assumiu contornos próprios nos diferentes países, mas tem um sentido geral único: o capitalismo em crise já não pode se dar ao luxo de conviver com franquias democráticas como o sufrágio universal, mesmo com todo o poder que o grande capital tem nas eleições. Hoje, qualquer divergência não é funcional a um sistema que precisa, para sobreviver, levar a exploração do trabalho de volta ao século 19.

A entrevista do ex-ministro sinaliza que o mercado já tocou o dobre de finados para a democracia no Brasil. Mostra, ainda, de onde vêm os ventos que sopram de Curitiba.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

A HISTÓRIA É ESCRITA PELOS SOBREVIVENTES

Eu não nasci herdeira de nada. Você, muito provavelmente também não. Bem… até pode ser que você tenha aí a promessa de alguns imóveis, talvez um seguro de vida, alguns bens, uma empresa de família… Isso eu já não sei. Mas, falo por mim.

Por Ana Macarini, no CONTIoutra

Eu realmente não nasci herdeira de nada. Meus avós deram um duro danado para criar seus filhos. Meus pais deram um duro danado para criar suas filhas e, tanto eu como meus pais e avós, fomos criados para crer que o que se deixa de mais valioso aos descendentes não é nada que se possa segurar nas mãos.

Bens materiais são coisinhas voláteis; hoje você pode possuí-los e amanhã eles criam asas ou se dissolvem mesmo, bem na sua frente. Dinheiro então! Dinheiro é a coisa nesse mundo que menos aceita desaforo. Duro de ganhar, fácil de gastar, dinheiro é a linguagem universal da espécie humana. Basta observar o quanto as pessoas ficam mais educadinhas quando suas escapadas são punidas com multas em espécie.

Seguindo essa linha de raciocínio, sou levada a pensar no quanto a história de cada um de nós é escrita baseada nos incontáveis desafios a que somos submetidos. A vida é uma espécie de maratona a longo prazo, com inúmeros obstáculos no processo.

O fato é que não importa a nossa classe social, poder financeiro ou a nossa condição cultural; nada disso importa quando o que está em jogo é colocar na balança perdas, danos e vitórias, e tirar dessa equação um saldo, seja ele, positivo ou negativo.

Segundo um dito popular, que pretende analisar a situação mundial da atualidade “Não está fácil para ninguém!”. O fato é que isso não é nada verdadeiro.

Algumas pessoas têm a vida bastante facilitada, na realidade. Algumas, para ser bem sincera, vivem literalmente com seus burrinhos à sombra, enquanto desfrutam das melhores coisas do mundo, com pouquíssimo ou nenhum esforço.

No entanto, voltando à reflexão sobre a inutilidade de juntar coisas, se no momento a situação material anda fácil para alguns e dificílima para outros muitos, nada está garantido para nenhum de nós.

Em última análise, acabo por concluir que a história é mesmo escrita pelos sobreviventes. E sobreviventes somos todos aqueles que não se contentam com vidas medíocres e estereotipadas, pela redutora necessidade de “aparecer bem na foto”.

Sobreviventes somos nós que estamos começando a entender que viver é algo muito maior do que aparentar ser, ter ou dominar. Sobreviventes somos nós, que ousamos sonhar com as possibilidades sem fim de mudar de ideia, de lugar, de vontade.

Entretanto, é preciso tomar um imenso cuidado com o risco de se conformar com a vitória aparente de ter sobrevivido. É preciso fazer desse feito histórico uma saborosa motivação, algo que nos torne aptos para abraçar o que de mais incrível a vida possa oferecer, com braços completos e colos infinitos. É preciso olhar para a frente com a alma de quem escolhe vida em abundância. Honrar a capacidade de ter sobrevivido com o peito repleto de desejos por uma vida que seja inteira.

Ana Macarini é Psicopedagoga e Mestre em Disfunções de Leitura e Escrita. 

COMO FUNCIONA A SUSPENSÃO TEMPORÁRIA DE SERVIÇOS?

Entenda o direito que o consumidor tem de interromper as assinaturas de TV a cabo, internet e telefone

Vai ficar por um tempo fora de casa? Poucas pessoas sabem, mas os serviços de banda larga, telefonia fixa, TV por assinatura ou mesmo aparelhos móveis (celular ou tablet) podem ser suspensos quando não estiverem sendo utilizados. Esse é um direito que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) regulamentou para os consumidores.

De acordo com a Anatel, a gratuidade do serviço só vale para as pessoas que entrarem em contato com o Serviço de Atendimento ao Cliente da operadora para solicitar a suspensão temporária do serviço. Fique atento para pedir apenas a suspensão temporária e não a da conta.

O serviço é gratuito, mas a suspensão só pode ser feita para um prazo mínimo de 30 dias e de no máximo 120 dias. Essa interrupção só pode ser solicitada a cada 12 meses e a operadora só vai interromper o serviço se o cliente estiver em dia com os pagamentos.

A operadora tem até 24 horas para suspender o serviço. Para restabelecê-lo, o consumidor deve entrar em contato com a operadora e solicitar a reativação. Após o pedido, o serviço deve ser reiniciado em até 24 horas.

Dificuldade para pagar

Está com dificuldades para pagar a conta? Você também pode usar esse direito para suspender o serviço. O consumidor não é obrigado a informar o motivo do pedido.

Independentemente do motivo, caso o cliente encontre dificuldades para solicitar a suspensão temporária, ele deve anotar o número do protocolo de atendimento e fazer uma reclamação no Procon da sua cidade ou no site da Anatel (anatel.gov.br).

Fique atento aos seus direitos, pois nem sempre as prestadoras de serviços são transparentes quando fornecem esse tipo de informação.

Por Michele Francisco / edição 1310 Folha Universal